Sobre Deus

20141208

Bom dia!

Ontem, ao ouvir uma música no Youtube, deparei-me com um rol de comentários sobre um daqueles conceitos que sempre vai gerar grandes discussões: Deus. Alguém, numa simples frase, referia, no fundo, que na interpretação de uma obra musical, daquelas que nos move e nos faz sentir algo bem profundamente no nosso coração, há uma presença de Deus tão forte, como se Ele abrisse um pouco a cortina para nos mostrar o que está muito para além de nós. Logo, em reposta, surgiu um comentário dizendo que o que o senhor tinha escrito podia soar “poético e patético”, mas que estava errado por partir de uma “premissa errada, pois Deus não existe.”

Cresci e convivi, durante vários anos, com uma envolvência religiosa, daquelas que nos mostra Deus como o grande marionetista, que decide e define tudo, o velho Senhor de barbas brancas, sempre pronto a castigar-nos pelos nossos pecados e a salvar-nos pelas nossas virtudes. Nesta premissa, ao fim de algum tempo, encontrei um problema, pois só via castigo no caminho do Homem, pois nada nem ninguém conseguia ser assim tão virtuoso. Senti-me enganado, castrado no meu caminho, relevado para segundo plano numa vida que me parecia muito maior do que apenas viver para esperar um castigo. Afastei-me de tudo o que pudesse ligar-me a essa ideia e abandonei, de certa forma, todo o tipo de pensamentos que pudesse envolver Deus ou religião.

Ao fim de muitos anos, compreendi que aquilo que chamamos de Deus tem tantos nomes e tantas formas, mas que nós, na nossa humilde tridimensionalidade, nunca teremos a capacidade de compreender a verdadeira dimensão do que Deus é. Contudo, creio que podemos conseguir uma percepção, naqueles breves momentos, muito simples por sinal, em que o véu se abre e revela-nos a maravilhosa Luz que está do outro lado. Neste caminho, o único processo que vivi foi um reconciliar-me comigo mesmo, foi um reencontrar-me em cada momento da minha vida com a minha essência, com quem sou, com quem vim ser, com o meu propósito. Compreendi que esse Deus que tantos problemas causa à face desta Terra, que eu gosto, carinhosamente, de chamar de Fonte ou de Universo, é, na realidade, tudo o que nos rodeia, a vida no seu esplendor, a Natureza em cada momento.

Compreendi que em mim está uma centelha divina que me torna também Deus, pois sou um com o Universo e o Universo está em mim. Contudo, isso só acontece, só é possível, quando estou em sintonia com a minha essência e faço aquilo que me propus, noutras esferas, enquanto alma, a fazer. Isso só é visível quando deixo de viver pelo meu Ego, pelos meus apegos, medos, dúvidas, raivas, ódios, rancores, culpas ou vitimizações e passo a viver em Amor por cada coisa, por cada situação, por cada partícula de Luz que habita em mim. Nesse momento, extraio do meu Ser a beleza do ser Humano e consigo ser, também eu, Luz. Leva tempo, sem dúvida, não é fácil, não, mas cada passo dado neste sentido é vivido como a prova, dentro do meu coração, de que Deus está em mim e Eu estou com Deus.

Boa semana!

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