Fast-Food

20150914

Boa tarde!

De algumas décadas para cá, nomeadamente com o aparecimento e disseminação da Internet, o mundo tornou-se muito rápido. Se, por um lado, existe algo de muito positivo em tudo isso, como o acesso rápido e vasto à informação, existe, por outro lado, um aspecto muito negativo. Deixámos de ter tempo para nós, deixámos de ter paciência para esperar seja pelo que for e, inevitavelmente, não digerimos nem nos alimentamos bem, seja o nosso corpo, seja a nossa mente ou o nosso espírito.

O fast-food estendeu-se a todas as áreas da nossa vida. Nos alimentos, acelerámos o crescimento das plantas e dos animais, fazemos comidas rápidas ultra artificiais, aquecemos em modo rápido e comemos a voar. O resultado é o que está à vista, os nossos corpos mal alimentados que começam a gerar um conjunto de comportamentos muito mais raros num passado bem recente. Se tal se passasse apenas no campo dos alimentos, era um problema, na realidade, bem pequeno, mas a verdade é que criámos uma política de fast-food em tudo o que nos rodeia.

Quando olho para o mundo à minha volta e vejo as reações e os comentários das pessoas, apercebo-me desta realidade. Não processamos a informação correctamente, aspiramos tudo indiscriminadamente e aceitamos que tudo o que nos dão é verdadeiro. Criámos um modo de preguiça em todas as dimensões do nosso ser. Queremos resultados imediatos e, como tal, não nos preocupamos sequer em ouvir o nosso coração, em permitir à mente processar a informação e transformá-la em conhecimento, em discernir e entender.

Já não há tempo nem paciência para ler um artigo até ao final, para ler um livro, ou vários, sobre um assunto, para pesquisar e assimilar tudo. Com isso, aceitam-se verdades que não o são e ainda as defendemos. Em todas as áreas do nosso mundo actual isso acontece e isso é gritante em algumas delas.

Mercúrio, no signo de Balança, está a fazer quadratura com Plutão e vai entrar em movimento retrógrado nesta semana. O fast-food de informação torna-se agora uma questão central das nossas vidas. É tempo de olharmos para dentro de nós e apercebermo-nos que precisamos de parar, acalmar o ritmo, ouvir e ler o que nos é transmitido, não só com os ouvidos ou com os olhos, mas sim com visão, com alma, com o nosso sentir.

Observemos essa realidade à nossa volta. Em tempo de eleições, acatamos o que nos dizem, vindo das nossas referências, assumimos como verdadeiro e não procuramos esclarecer-nos. Em tempo de crise de refugiados, o medo assola-nos e assumimos a informação que o radicalismo nos transmite como verdadeira, sem sequer procurarmos mais informação e compreender os vários contornos da situação. Em todas as áreas do nosso mundo, queremos tudo pronto, para ontem, sem trabalho nem esforço, seja um emprego, um curso, um casamento ou um relacionamento, a resolução das nossas questões ou a cura das doenças.

No entanto, é preciso pensar que, tal como a comida rápida dá-nos apenas a sensação de uma satisfação imediata, enchendo-nos de químicos e de uma comida que não nos alimenta, também na nossa vida, quando vibramos em tal frequência, tapamos apenas questões imediatas, iludindo-nos de tudo estar como queremos. Na realidade, apenas escondemos determinadas questões, num local escuro do nosso ser, permitindo que, no silêncio, cresçam, para que, um dia, voltem com mais força, com maior intensidade, correndo o risco de nos derrotar.

É agora o tempo de largarmos esse padrão e, no fundo, reconectarmo-nos com a energia do elemento Terra, da mãe Terra, que tem em si a sabedoria dos ciclos, a beleza de saborear o que cada momento tem para nos dar, a destreza de saber moldar-nos para superar cada entrave, a força de resistir e persistir perante cada obstáculo. Essa é a natureza de sabedoria do eclipse que vivemos ontem e da energia que temos estado a viver nestes dias, e essa, acredito, também será a natureza das grandes aprendizagens que iremos continuar a fazer nestes próximos anos.

Boa semana!

Related Posts

Leave a comment