Superpoderes

20150907

Boa tarde!

Quando era miúdo, muito graças a uma imaginação muito fértil e aos desenhos animados que começaram a surgir nos anos 80, imaginava, nas mais variadas situações do dia-a-dia, que tinha superpoderes, por norma todos ligados à utilização da mente e nunca ligados a força física bruta. Acompanhado da minha espada, que nunca era usada para matar fosse quem fosse, aí ia eu derrotando o mal e ultrapassando obstáculos.

Com o passar dos anos, embora continuasse a imaginar essas mesmas coisas, de formas diferentes, fui compreendendo que todos nós temos grandes poderes, que maior parte não sabe, verdadeiramente usar. Não é por acaso que criámos, nós mesmos, esse conceito do super-herói, com superpoderes, mas também com um ponto fraco, um elemento que, se for superior, o destruirá. Existe em nós essa memória, esse conceito, essa vivência que precisamos de recuperar, a de que em cada um de nós existem possibilidades infinitas, que exprimimos para a ficção criada pela nossa mente, para as histórias dos livros, da TV e do cinema. Não, claro que não temos os poderes dos super-heróis, mas temos em nós algo muito maior, fruto da nossa centelha divina, da nossa conexão com o divino.

Em nós existe o maior poder de todos, o do Amor, que transforma e cura, que nos eleva e nos apazigua o espírito. Sem o Amor nada é possível de ser criado nem mantido. Talvez por isso, hoje, quando o Universo nos pressiona de forma tão intensa, com acontecimentos em catadupa, nas nossas vidas, na nossa sociedade e no mundo, sinto que a única forma de caminhar é através de abrir o nosso coração e amar. O Amor é o caminho ensinado pelos Mestres, o legado que todos eles, sem excepção, nos deixaram, pois eles tinham a consciência de que é essa a energia que criou o Universo, nós mesmos e todas as coisas que existem.

Existe também em nós o poder da Fé, aquele que move as montanhas que enfrentamos, que encontramos no nosso caminho. Fé não é religião, nem sequer depende dela, Fé é acreditar em nós mesmos e que, junto a nós, estão tantos outros, invisíveis ao mundo terreno, que nos auxiliam, que nos amparam, que nos encaminham. Fé é acreditar no que ainda não aconteceu mas que, porque estamos em sintonia com a nossa essência, de coração aberto, sabemos que irá materializar-se nas nossas vidas. A Fé alimenta-nos, sustenta-nos, levanta-nos quando caímos e, acredito, sem ela, dificilmente conseguimos chegar a algum lado.

No nosso ser também existe a Esperança, talvez o poder mais sublime, um verdadeiro escudo protector que nos permite atravessar as mais densas tempestades, sofrendo um mínimo de danos. A Esperança é atraída pela Luz, e quando vivemos este poder em nós, conectamo-nos, de forma inabalável, a essa mesma Luz, sendo levados até ela, confiando que é o caminho mais correcto, independentemente de onde ele nos levará.

Existem tantos outros poderes que nos estão acessíveis, mas nada mais são do que conjugações e derivações destes três, os mais importantes, os pilares da nossa evolução. No entanto, hoje, com um mundo em convulsão, reflexo do abalar de estruturas que existe dentro de cada um de nós, a necessidade, a urgência da mudança de paradigmas e de bases, somos confrontados com aquele que é o grande bloqueador de todos os nossos superpoderes, o medo. O medo é a antítese do Amor, é o que mais nos derrota e nos deita abaixo, e quando nos entregamos a ele somos consumidos com uma rapidez impressionante. Quando nos deixamos envolver por ele, a Fé é colocada para trás e a Esperança desaparece, pois somos consumidos pela nossa própria sombra e deixamo-nos levar pelas energias densas dos apegos, da posse e do materialismo, focando-nos na matéria e desligando-nos do espírito, criando em nós mais dor, mais sofrimento e derrota.

Olhemos o mundo em que vivemos neste preciso momento e nos dramas que à nossa porta estão a ser vividos. Começam agora a levantar-se vozes, depois do tão efusivo entusiasmo e apoio aos refugiados, contra a recepção destes seres na Europa, fruto do medo de perder a nossa independência, do medo de que entre eles estejam infiltrados do Estado Islâmico, do medo que provoquem uma guerra. Não só existe este medo, como também a revolta por tão rapidamente encontrarem-se soluções para estas situações que vêm do exterior, mas na nossa casa continuarem a existir pessoas que passam fome, que não têm emprego nem onde dormir.

Estas são as pressões que nos estão a ser colocadas, pois continuamos a entregar aos outros a solução dos nossos problemas e revoltamo-nos por não o fazerem, culpando, como tantas vezes digo, todo o mundo, mas nunca assumindo a responsabilidade das nossas próprias escolhas. Enquanto não usarmos os nossos superpoderes, enquanto não nos amarmos a nós mesmos e ao nosso semelhante, independentemente de tudo, enquanto não formos capazes de acreditar e de assumirmos que o que temos foi criado por nós, não teremos a consciência de que também podemos criar um mundo diferente para nós mesmos. Enquanto vivermos presos ao mundo material, focados no dinheiro, na posse e nos bens, acreditando que a nossa felicidade provém dessas efémeras coisas que nem sequer levamos para lado nenhum a não ser aqui na Terra, não seremos capazes de ser os super-heróis que a mente humana cria, que salvam o planeta, e ficaremos tão-somente à espera que um qualquer, vindo de uma galáxia distante, nos venham salvar.

Boa semana!

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