A Casa de um Criador Divino

20151116

Boa tarde!

Como é evidente, a minha reflexão de hoje dificilmente teria como pano de fundo outro tema que não o dos acontecimentos recentes. No entanto, não vou estar aqui a escrever o que já tantas vezes trouxe através das minhas palavras, durante todos os meses deste ano, e que tanto se aplica ao momento que vivemos, mas prefiro trazer matéria para que possamos, neste momento, ver com os olhos da alma o que nos rodeia.

Várias vezes digo, mas agora torna-se urgente, que é preciso olharmos para o mundo que está à nossa volta. É preciso vermos os vários pontos deste globo e compreender a energia que se está a viver neste momento. Vivemos os atentados da passada sexta-feira em Paris, mas também em Beirute e na Síria, assim como a (in)consequente resposta francesa de ontem ao Estado Islâmico; há cerca de uma semana, um avião russo despenhou-se no Egipto, tudo se crê, fruto de uma explosão. Não nos podemos também esquecer dos fortes sismos no Chile, na zona do Pacífico junto ao Japão, a Timor e à Indonésia, mas também no Índico, e no Médio Oriente e do terrível drama das gentes de Mariana, em Minas Gerais, no Brasil, com o Rio Doce a ficar poluído, estima-se, por mais de 150 anos, deixando toda uma cidade sem qualquer fonte de água doce. Sem contar com tantas outras situações que nem sequer são transmitidas pelos media.

Este é o mundo em que vivemos, em plena convulsão, que nos está a pedir uma mudança global, uma tomada de consciência que, como tantas vezes digo, tem de começar em cada um de nós. Por essa mesma razão, não faz sentido chorarmos e orarmos por Paris e esquecer todos os outros locais, todas as pessoas que pelo mundo sofrem com guerras, catástrofes, calamidades, fome, violência e dor. Por essa mesma razão, não faz sentido pedirmos paz no mundo sem antes, dentro do nosso coração, vivermos o amor ao próximo, a aceitação da diferença, o reconhecimento de que somos todos irmãos. Por essa mesma razão, não faz sentido apontarmos o dedo e julgarmos os que nos rodeiam quando mascaramos as nossas próprias questões e não somos capazes de encarar as nossas próprias sombras.

A mudança da Terra começa com a mudança de cada um de nós, nada mais simples do que isso. Assim como uma mudança no funcionamento de uma glândula ou de um órgão do nosso corpo físico muda todo o nosso comportamento, também é a nossa própria transformação que nos tem conduzido pela mudança do nosso mundo. Foi a necessidade de poder, de posses, de riqueza, de caminhos de verdade absoluta, que nos fizeram desconsiderar a nossa humanidade, que nos corromperam a alma e nos conduziram à convulsão que vivemos hoje, disseminada pelo medo, pela ganância e pela inveja. Apesar de já se notar uma grande mudança e um cada vez maior despertar, a sociedade de informação que criámos nos últimos anos, aliada a uma filosofia que já várias vezes mencionei, de um total fast-food, onde tomamos tudo como nos é transmitido, sem pensarmos nem sentirmos, esquecendo que dentro de nós existe a maior bússola que poderemos desejar, a da nossa consciência, a do nosso coração, a da nossa essência, que nos mostra tudo o que precisamos de ver, se assim quisermos, verdadeiramente, ver. Como dizia o Mestre, quem tem ouvidos que oiça; e o mesmo se poderá aplicar a todos os outros sentidos.

Agora, mais do que nunca, é preciso abrirmos os olhos da nossa alma para vermos o que nos envolve, para podermos também escolher os caminhos que vamos fazer daqui para a frente. Sabemos que não é com violência e dor que tudo se irá resolver, mas esse é o caminho que está a ser escolhido pelos governantes. A nós cabe-nos a tarefa de escolhermos, para as nossas próprias vidas, o caminho do amor ao próximo, do respeito, da solidariedade, da aceitação, da fé e do perdão. Ainda que muitos à nossa volta não partilhem dessa mesma escolha, que nos apontem o dedo, a nós cabe-nos amá-los ainda mais e transmitir-lhes, em pensamentos, em orações, esse mesmo amor. Só nos é difícil amar ao próximo, independentemente de tudo o que ele nos poderá fazer, se também nos for difícil amar-nos a nós mesmos, e essa é a verdadeira reflexão que devemos fazer.

Neste momento tão intenso, chegou até mim algo que não hesito em compartilhar, como forma de terminar esta reflexão. Recordemo-nos da história da escada de Jacó, onde, no meio de um deserto árido e sem vida, Deus mostrou a este homem uma escada plena de Luz, onde anjos subiam e desciam, e disse-lhe que lhe daria aquele local para ele criar a sua família e se espalhar nas quatro direcções, sempre por Ele protegido. Acordando do seu sonho, Jacó entendeu que mesmo naquele local árido e seco Deus estava e que ali também era a Sua casa. Então, acredito também eu que mesmo neste local que hoje é a Terra, onde tantas coisas más acontecem, onde existe tanto sofrimento, Deus, ou como lhe quisermos chamar, também está, e cabe-nos a nós voltar à nossa essência, para que ao entendermos que o nosso próprio corpo é a Casa de um Criador Divino, pois todos somos centelhas desse mesmo Todo, então poderemos assim, ao respeitar o nosso irmão, respeitarmo-nos também a nós mesmos.

Boa semana!

Related Posts

Leave a comment