A Candeia da Esperança

20160106

Boa noite e bom ano!

Há precisamente dois anos dei início a este site e também à minha página no facebook, como passos importantes de uma nova fase e de um novo ciclo em termos pessoais, um reforçar de uma escolha, de um caminho. Nessa altura, a vida colocou-me um desafio de transformação pessoal com apenas uma regra, a de compreender e assumir o meu propósito de vida. Não havia senão um caminho, e ainda hoje o percorro.

Digo muitas vezes que todos somos peregrinos, e há um tempo em que o caminho se torna mais íngreme, mais exigente, e é nesse momento que temos de puxar de todas as nossas forças, de toda a nossa fé e dedicação, pois são esses troços de caminho que nos mostram o verdadeiro porquê de fazermos aquela jornada. Como qualquer caminho íngreme, ele leva mais tempo, exige mais esforço, mas, se não nos focarmos nas dificuldades, iremos certamente descobrir uma certeza, a de que há uma recompensa, uma visão privilegiada da nossa própria vida, um ar mais puro para respirar, o sentido de realização.

Iniciámos um novo ano, um ano cheio de desafios e de solicitações para todos nós, sem excepção, pois, cada dia mais, sente-se uma profunda energia de despertar à nossa volta, nas pessoas, na natureza à nossa volta. Na verdade, esse é o grande propósito deste tempo que estamos a viver, o de retornarmos à nossa essência e contribuirmos, todos, para esse grande movimento de despertar que chamamos de Ascensão, não só para a Terra, como também para nós mesmos.

No entanto, assim como o tal caminho onde somos peregrinos, antes de chegarmos ao destino, temos de passar pela dureza de cada milha, e se há alguns troços que são mais suaves e planos, luminosos também, há muitos profundamente escuros e difíceis. Revelar a nossa Luz implica passar primeiro pela nossa própria sombra, reconhecê-la, trabalhá-la, integrá-la e transformá-la, pois só dessa forma podemos morrer para renascer, libertarmo-nos e desapegarmo-nos do que nos prende, do que nos restringe, do lado vicioso e material do ego, assumirmos a nossa centelha divina, o nosso propósito, e avançar em direcção à reunião com o Todo do qual um dia tivemos de nos desligar.

Somos todos parte de um Todo maior, mas para que esse Todo possa, ele mesmo, crescer e evoluir, é preciso que cada uma das suas mais minúsculas parcelas o façam de forma independente, embora integrada. Pensemos no nosso próprio corpo, é sem dúvida um todo, mas não cresce uniformemente, cada órgão, osso, músculo, glândula, célula, cresce de forma independente, embora totalmente integrada com os restantes. Só dessa forma o corpo pode adquirir a forma e a capacidade total que necessita para cumprir a função para o qual foi desenhado. Note-se também que, quando alguma das partes não está a funcionar bem, quando algum órgão não se desenvolve da mesma forma, há um processo de defesa, de reajustamento. Se pensarmos nesta metáfora, podemos olhar para o nosso mundo pelo mesmo prisma e perceber que, na verdade, o que estamos a viver é a reacção a tanto tempo de destruição, de desligamento da nossa essência, de reforço do ego e anulação da identidade. Tudo o que o mundo tem vivido, e tudo o que cada um de nós, nas nossas vidas, tem passado, faz parte desse enorme processo de despertar que nos está a ser solicitado, e cada ano, tal como este que iniciamos agora, assim como cada um dos nossos anos pessoais ou de outros ciclos dentro de ciclos.

Por isso, nesta minha primeira reflexão de 2016, relembro esse momento, há mais de dois anos, em que tive de encarar de frente a necessidade, incontornável, de reconhecer e assumir o meu próprio Eu. O que vivi daí para a frente, nem sempre foi fácil, pelo contrário. Muitas vezes caí para me levantar de novo, muitas vezes senti a esperança faltar-me e a fé fraquejar, para depois me relembrar que só há um caminho e que baixar os braços e desistir nunca pode ser uma opção.

Nos tempos que vivemos, muitos já se estão a confrontar com o mesmo, outros irão, certamente, chegar a esse ponto, e por isso, neste Dia de Reis, é importante relembrar que, mesmo sem terem a certeza, aqueles Magos seguiram a Estrela da Esperança, com os seus corações plenos de Fé pelo nascimento daquele que, do ventre de Maria, concebido pelo Espírito Santo, filho de Deus Pai, trazia como grande e dura missão salvar a Humanidade. Como forma de gratidão, levaram-lhe ouro, símbolo da realeza e da prosperidade, incenso, símbolo do espírito, e mirra, símbolo da purificação. Que hoje essa mesma energia possa entrar em nós, nos nossos corações, e que os possamos abrir mais e mais para a Luz, para a Fé, para o Amor, pois é apenas isso que precisamos para poder mudar as nossas vidas. Que possamos, acima tudo, manter viva a candeia da Esperança nos nossos corações.

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