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Justiça

20160624

Desde muito pequeno que sou extremamente sensível a tudo o que tenha a ver com questões de justiça. Não me refiro, claro, à justiça dos homens, dos tribunais, a ordem e o respeito que constrói a sociedade, indispensável a uma preservação da vida humana na Terra, mas sim a um nível de justiça mais elevado, o da harmonia e do equilíbrio. Sempre que vejo o que considero como injustiça à minha volta, ou a sinto na minha própria pele, há uma parte de mim que sente profundamente essa dor, esse peso, que se revolta, que se exalta, que urge por “corrigir” algo. Com o passar do tempo, com o trabalho em mim, com a vivência mais profunda dum caminho que podemos chamar de espiritual, comecei a apaziguar este grito, a aceitar os caminhos, a compreender o verdadeiro sentido de Justiça.

Hoje celebra-se o dia de São João, o Baptista, aquele que baptizou Jesus nas águas, que assumiu o caminho de preparação para a vinda do Mestre. Curiosamente, na Umbanda, São João Baptista (entre outros) é sincretizado com Xangô, Orixá da Justiça, manifestação de Deus no sentido do equilíbrio e da harmonia, que com o seu machado protege quem vive na Luz e no Amor e devolve a sombra e a maldade a quem a comete. No fundo, assim como o baptismo que João dava, em nome de Deus, como forma de purificação, viver na Luz e no Amor é uma escolha individual, singular e única, que preconiza uma responsabilidade, a de cada ser humano de colher o que semeia.

Assim como São João Baptista precedeu a Jesus, preparando-lhe o caminho, anunciando-o e, por fim, baptizando-o, em total comunhão com o Espírito Santo e com a vontade divina, também a Justiça tem de abrir o caminho ao Amor e à Luz. Da mesma forma, é o Amor e a Luz que trazem mais Justiça, mais equilíbrio e mais harmonia. Trabalhando em conjunto, sempre sob a base da Fé, poderemos transformar-nos, poderemos encontrar um sentido, um caminho, uma direcção e, dessa forma, cumprir o nosso propósito.

A Justiça tem de começar dentro de nós, com a tomada de consciência e de responsabilidade sobre nós mesmos, sobre as nossas escolhas, sobre os nossos caminhos. Não podemos esperar que dos outros venha um reconhecimento que em nós mesmos não existe, não podemos esperar que dos outros venha um respeito que sobre nós mesmos não aplicamos. Podemos pensar que isto é um pouco radical, mas é a mais pura das verdades e a aplicação sublime do princípio do equilíbrio. Quando eu não me reconheço e não me valorizo, não acendo a minha Centelha Divina de forma a que ela se expanda e me transforme, de forma a que me torne num verdadeiro farol, não por ser mais ou superior a alguém, mas sim porque tenho a audácia de ser apenas Eu mesmo. Se todos fizermos o mesmo, todos somos faróis num mundo onde ainda existem muitas sombras, onde muitos reduzem a sua luz natural por olharem em demasia para o seu irmão, por se compararem e por, ainda que não o pretendam, invejarem os seus feitos, o seu brilho. Quando entramos nesses caminhos de trevas, activamos uma poderosa e nefasta magia negra que se reflecte sobre quem invejamos, tornamo-nos, ainda que não tenhamos sequer essa percepção, em agentes de um submundo negro e vil, que encontra na Terra um terreno muito profícuo.

Então, ao vibrarmos a nossa própria Luz, ao nos preenchermos com ela, em comunhão com o divino, criamos a nossa primeira e mais forte protecção, a que provém de olhar para mim e ser Eu mesmo, a de reconhecer-me e trabalhar mais fortemente sobre a minha Centelha Divina, sobre o meu propósito. É assim que me consigo colocar no topo da montanha, no pico da pedreira onde construo os pilares do templo que Eu Sou, vivendo, primeiro e acima de tudo, em Justiça para comigo mesmo. Dessa mesma forma, consigo compreender e aceitar o que o caminho me entrega em cada momento, os frutos que colho em cada passo, o verdadeiro karma em acção. Sem aceitação não há Justiça, sem entrega não há caminho, e é isto que me permite viver em harmonia, em paz, em verdadeiro equilíbrio. Ao mesmo tempo, a Justiça é um receptáculo e um resultado, como manifestado por uma forma bem conhecida, a da ampulheta, medidora do tempo, algo tão importante, tão crucial, para a vivência deste princípio superior. É na Justiça que a Misericórdia, a Humilde e o Perdão se encontram e se manifestam, mas é apenas com ela que podem, de igual forma, crescer. Por isso, todas estas coisas precisamos de trazer ao nosso coração e, com a nossa Luz, transformá-las em manifestações divinas, levando-as onde elas são necessárias. Se, porém, no nosso coração, a Luz tiver sido relegada para segundo plano, suplantada por inveja, mágoa, dor, revolta e medo, então a Justiça se manifestará de igual modo, trazendo até nós o que merecemos, o que cultivámos, o que alimentámos. Posso até fazer muito bem a muita gente, mas será impossível viver na Luz. É certo que à volta das rosas podem existir silvas, mas se eu regar esse terreno, sem retirar essas mesmas silvas, então, mais cedo ou mais tarde, essa rosa morrerá, pois as silvas consumiram todos os nutrientes e esgotaram a vida dessa bela flor.

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