Gémeos – A Força da Mente

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Mais do que um simples percurso, a transição do Sol pelos vários signos do Zodíaco é uma construção profunda do Ser na sua evolução. Nesse percurso, vamos activando as várias energias, trabalhando-as em nós e manifestando-as na nossa estrutura, dando-lhes forma e sentido, integrando-as e, dessa forma, dirigindo-as no sentido do cumprimento do nosso propósito de vida. Dessa forma, para além de sermos, de existirmos e de nos tornarmos matéria, há uma personalidade que se constrói e se manifesta, uma complexidade que nos eleva em direcção ao mais divino em nós.

Na Terra, toda a existência é espiritual, o que significa que somos todos espíritos tornados matéria. Contudo, a primeira característica que nos diferencia de toda a restante criação é a complexidade e a capacidade mental, manifestadas pela inteligência, pela compreensão do mundo que nos rodeia, a sua apreensão e a possibilidade de interagir com ele, comunicando, dando e recebendo informação que se tornará alimento à possibilidade de criar que está latente em cada um de nós. Quando chega ao signo de Gémeos, o Sol traz consigo as aprendizagens de identidade e de valorização, integrando-as e elevando-as até à dimensão da linguagem, da comunicação, da aprendizagem, da inteligência e da compreensão, parcelas muito importantes da nossa Centelha Divina. Por isso, em Gémeos reconhecemos o poder do pensamento, do conceito e da palavra, a sua importância na vivência que é o Ser Humano.

Gémeos é o terceiro Signo do Zodíaco, o primeiro do Elemento Ar e do Modo Mutável, e a ele cabe a tarefa de fazer a transição da Primavera para o Verão. A energia da primeira estação está sedimentada e o seu trabalho estruturado, o que nos permite agora expandir, crescer e permitir que a natureza interaja, criando vida, renovando-se. No fim da Primavera, que Gémeos representa, libertamo-nos em definitivo das restrições que o Inverno nos exigiu, mas a imprevisibilidade que o ambiente que nos rodeia nos dá recorda-nos que, por vezes, precisamos de ir ao sabor do vento, elevar-nos nos céus e abrir as nossas asas, as do pensamento, da mente que tem a capacidade de conceptualizar e criar.

O pensamento, a curiosidade e a multiplicidade de ideias e de focos são representativos de Gémeos, o ar que se movimenta e se adapta, que amplifica o nosso conhecimento e nos dá bases para tudo criar. Ainda que seja um signo onde a mente é a rainha, a verdade é que ele nos pede também que saibamos canalizar a nossa energia mental através da compreensão que os signos anteriores nos deram. A mente e o pensamento são apenas etéreos sem serem trazidos para a matéria, sem lhes darmos forma ou valor. Para Gémeos é fácil ficar na simples conceptualização, no pensamento livre, na curiosidade infantil de conhecer sempre mais, mas a um determinado tempo, só isso não chega e, como uma criança, cansa-se e larga, passando para outro foco, dando aquela tão popular ideia de volatilidade e de capricho, de várias caras e vários humores.

Viver a energia de Gémeos é descobrir, desenvolver e revelar aquilo que a nossa mente tem para nos dar. É ela quem nos permite comunicar e aprender, recebendo os vários impulsos que a realidade que nos rodeia tem para nos dar, permitindo-a crescer e desenvolver, amplificar-se a cada nova informação. A comunicação e a interacção são essenciais à nossa sobrevivência e ao nosso desenvolvimento enquanto seres humanos nesta jornada de evolução terrena, não existiríamos da forma como nos conhecemos, nem teríamos tido a capacidade de evoluir sem nos ligarmos racionalmente, pois é aprendendo e ensinando, amplificando os nossos horizontes, abrindo a nossa mente ao que é novo, que somos capazes de criar o nosso próprio entendimento. Quando o fazemos, movimentamos a nossa mente, fazendo-a tomar novas proporções e dimensões, libertando-a da solidez da matéria estruturada e potenciando todo o nosso desenvolvimento, compreendendo-a como verdadeira criadora da nossa realidade.

A mente é, sem dúvida, o que mais directamente nos liga ao divino, a que primeiro nos aproxima da energia da Fonte e do Criador, que nos recorda do sopro de vida que nos foi ofertado e a capacidade de podermos, também nós, ser criadores do nosso caminho. Para tal, é preciso compreendermos que são os nossos pensamentos uma das energias mais poderosas que existem, pois é através deles que, em cada instante, em cada momento, moldamos a nossa realidade e damos conceito à nossa própria vida. No entanto, é preciso saber como viver a nossa mente, pois assim como ela é criadora da mais bela realidade, também o é da mais poderosa destruição.

No entanto, Gémeos é um signo de curiosidade, daquela que encontramos na criança que descobre o seu mundo, que tem um cérebro ávido de aprendizagem e de informação. Como essa criança, há uma dispersão latente, pois tudo é sempre visto como novo, tudo tem interesse, tudo é um mundo pronto a ser descoberto, moldado até ao limite da nossa mente, aquela forma pueril e tão bela, mas tão essencial ao nosso desenvolvimento. Cair na dispersão total, sem nenhum tipo de foco, é desperdiçar energia, é perder capacidades e não dar forma nem materializar qualquer tipo de energia. Como um vento forte que tudo leva e nada transporta, a mente precisa de direcção e, em Gémeos, isso significa aprendizagem e comunicação, em constante interacção.

Criar foco é desenvolver a capacidade da mente dar o primeiro passo na elevação da informação em conhecimento, e tal só é possível quando nos permitimos aprender e ensinar, receber e devolver, e permitir que haja um fluxo que ultrapassa a simples função fisiológica da mente, o falar, o simples despejar de informação. Tal só é possível quando aprendemos a força e o poder da comunicação, a divina expressão da dimensão humana. Nesse momento, compreendemos que o foco é a consciência de que somos canais de manifestação da capacidade divina da criação, que temos em nós esse potencial, que é conhecido em grande parte dos mitos primordiais.

A mente, o domínio de Gémeos, define a nossa existência e manifesta a nossa realidade, mas tal depende do que ela recebe, o que torna o seu trabalho muito importante e, na verdade, essencial. Para conseguirmos discernir sobre o alimento que a mente recebe, não nos podemos tornar pura e friamente racionais, pois tal vai fazer com que simplesmente vivamos nas múltiplas possibilidades, na inúmera informação que constantemente nos chega, e isso tira-nos do centro da nossa mente. Precisamos, na verdade, de trazer o coração à mente, alimentarmo-nos de amor, pois ele é a matéria que une os pensamentos, as intenções e as percepções, que permite o fluxo de comunicação e a transforma em empatia, que nos liga e conecta, que nos permite criar, no mais divino sentido do ser, em verdadeira Luz.

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