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Leão – O Raiar do Eu

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A vida na Terra tem como grande pressuposto a existência de água, o factor-chave para a sua manifestação, geração e criação, pelo menos da forma como a conhecemos. Contudo, sem a emanação de luz e de calor do Sol, a água não se pode transformar, não tem capacidade de ser o caldo nutritivo para que um corpo se alimente, se preencha de vida e seja capaz de cumprir um propósito. Na verdade, o Sol é o grande impulsionador da existência, mas é ele também o representante, do ponto de vista humano, do ultrapassar dessa simples condição, o potenciador da verdadeira Vida.

O Verão, no seu ponto central, aquele em que o Signo de Leão se manifesta, é o momento em que o Sol mais nos presenteia com a sua força, com o seu calor, com a sua vida. Ainda que, na Terra, não o sintamos nessa plenitude, por questões da própria dinâmica terrena, os seus raios tocam-nos, atingem-nos, trazendo-nos uma forte e profunda percepção da vida na sua intensidade, mostrando-nos a bênção que ela é em tudo o que nos rodeia. As plantas brindam-nos com as mais belas e fortes cores, o verde das folhas fica mais forte, as flores estão mais intensas, as frutas absorvem a vida e os nutrientes que nos alimentam, nós ficamos mais predispostos a sair de casa, a nos divertirmos, os dias são mais longos, tudo é mais alegre e feliz e recordamo-nos, num ideal, como é bom estar vivo!

Leão é o quinto Signo do Zodíaco, o elemento Fogo na sua manifestação Fixa, o que o torna o pilar energético do Verão, o ponto central da estação que sustenta e suporta a energia que se irá manifestar como vida na sua mais bela e radiosa expressão. Ele traz-nos a percepção de que a vida na Terra comporta muito mais do que o existir e sobreviver, que ainda que tal seja importante e necessário, essa é uma manifestação muito básica e estrutural, que não manifesta o verdadeiro propósito da encarnação, aquele que nos foi trazido como percepção no primeiro de todos os signos, Carneiro. Se já fizemos este pequeno, mas importantíssimo percurso, ao longo dos primeiros signos do ano, atingindo a energia de ser, de existir, de assumirmos um corpo físico, que recebe uma alma e manifesta um ego, é preciso compreendermos que toda essa estrutura tem como propósito a manifestação de algo maior, o nosso Espírito.

Leão é o signo que coroa a vitória da Luz com o reconhecimento da essência divina que existe em cada um de nós, que nos recorda que somos Centelhas Divinas, e que temos como grande caminho aprender a expressá-la, a mostrá-la, com a força da Criança que existe em cada um de nós. No fundo, em Leão, reaprendemos a ser essa mesma criança, voltando à inocência que carregamos em nós, essa pequena e singela, embora magnífica, fagulha que se libertou do Todo para poder crescer e a Ele retornar. No entanto, como a vida na Terra é dolorosa e a evolução nela implica crescer, é fácil esquecermo-nos da inocência, da pureza, do brilho que qualquer criança tem, e tal é-nos relembrado, quando voltamos ao signo de Leão, quando o Sol, bem lá no alto, aquece-nos, liberta-nos e dá-nos vida.

A experiência terrena implica um ego, gerado conjuntamente com a formação da nossa existência, em Caranguejo, que tem a função de preservar a vida, mas que, se mal alimentado, toma controlo de nós mesmos e faz-nos apenas vibrar nessa sobrevivência, impedindo-nos de manifestar a nossa verdadeira natureza, e Leão facilmente alimenta esse mesmo ego com a necessidade de brilho, de foco, de protagonismo, de orgulho e vaidade. Para que tal não aconteça, precisamos de reavivar em nós o sentido de uma das máximas que o Mestre nos deixou, a de que, se quisermos entrar no reino dos céus, temos de voltar a ser crianças, em tudo o que isso representa, pois é a humildade, a pureza, a inocência, a honestidade e a genuinidade os maiores valores que a criança contém em si, e não há melhor Signo para o expressar que o de Leão.

Leão traz-nos o sentido do Fogo que cria, que manifesta o gerar, a faísca que acende a vida no corpo, que faz o coração pulsar. No fundo, ele é a representação do Espírito que se manifesta na sua maior beleza, na sua totalidade, que é traduzido através da Alma, sem dúvida, pois o corpo humano e a densidade terrena não suportariam toda a sua dimensão, mas que mostra a sua verdadeira face, o seu brilho. É deste elevar de nós mesmos, deste abrir do coração e manifestarmo-nos na nossa Luz, que se liberta a nossa criatividade, a nossa capacidade de gerarmos vida, sensações, emoções e impulsos por onde passamos, que nos comunicamos de Ser para Ser e que potenciamos a nossa capacidade de sermos Luz num mundo de densidade e trevas.

Para tal, em Leão necessitamos de olhar para nós, não no sentido egocêntrico, tão fácil e tentador para esta energia, mas sim para podermos ter a coragem de abraçar a nossa essência, a nossa identidade. Conhecermo-nos é, acima de tudo, identificarmo-nos perante nós mesmos, olhar para nós e reconhecer a Centelha que nos habita, o Deus que habita em nós, mas sem nos considerarmos Deus. O orgulho de sermos nós mesmos facilmente resvala para o domínio duma existência autocentrada, egocêntrica e fechada, tornando-nos sombra na nossa própria luz, consumindo-nos em nós mesmos sem a noção do que estamos a fazer. Em Leão somos chamados a trabalhar e a manifestar a nossa identidade, a termos orgulho em quem somos, sim, mas com a inocência e a naturalidade de quem está apenas a aprender, recordando que só o podemos fazer quando, como o Sol, nos permitimos brilhar e mostrar.

O Sol é o regente do Signo de Leão, e se é ele que nos dá a vida e o calor, que amadurece os frutos e lhes dá os nutrientes que necessitamos, também é ele que os seca, queima e mata. Por isso, o Sol tem de ser filtrado até chegar à Terra, da mesma forma que o nosso Espírito se separa do Todo, se sintetiza numa Alma e se manifesta num corpo, com o sentido de se reencontrar no seu brilho, na sua capacidade de Ser. Nesse sentido, Leão ensina-nos a viver, a mostrar quem somos, na nossa mais pura essência, a mostrar o nosso Eu e a nos libertarmos de amarras, cordas e prisões que o ego nos vai colocando, a largar os hábitos, os medos e as zonas de conforto e a nos evidenciarmos na coragem de manifestarmos o nosso Eu, sem arrogância, sem altivez, sendo criança, sim, porque é a criança que nos ensina a ser curiosa e sonhadora, aventureira e descobridora, mas sem sermos infantis e caprichosos.

Leão pede-nos, no fundo, que sejamos os protagonistas da nossa vida, que assumamos o nosso próprio palco, que possamos ser iluminados pelos holofotes e recebamos o reconhecimento e os aplausos, pois todos necessitamos de sair da sombra de nós mesmos, de tudo o que nos consome e nos fecha, para podermos crescer e assumir o nosso Eu. Ainda que tenhamos sido gerados e nascidos da Mãe, ainda que seja ela quem nos nutre, nos sustenta e nos fortifica, é preciso recordarmo-nos que cada um de nós é uma Centelha do Pai que se expressa aqui na Terra e que nos cabe a nós sermos o sublime reflexo do divino em toda a sua magnitude, nas palavras, nos sentimos, nos actos, tornando-nos os verdadeiros criadores da nossa vida. Trabalhar Leão é honrar a própria vida e a nossa essência, é o raiar do nosso Sol interno e o abrir do nosso coração, assumindo o nosso verdadeiro Eu.

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