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Balança – O Espelho do Eu

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Em cada ciclo que vivemos, há um momento de arranque e um tempo de crescimento, e nesse percurso somos levados até um ponto fulcral e muito especial. É nesse ponto, o momento em que o ciclo chega a meio, que é preciso fazer um ponto de situação, entender e compreender o caminho feito e prepararmo-nos para a segunda parte, aquela em que projectamos todos os passos e todas as aprendizagens para fora de nós mesmos, no sentido da materialização daquele algo que, um dia, brotou no nosso coração como uma vontade.

Da mesma forma, a natureza, que se ocupou de gerar e materializar, de manifestar-se na sua capacidade criadora, agora oferece-nos os seus últimos frutos e, principalmente, as sementes, gérmen da nova vida e das novas plantações. Então, é tempo de celebrar a prosperidade, recolher os frutos, vindimar e preparar o tempo mais frio que se aproxima. Se no final do Verão colhemos os cereais e frutas, separámos e preparámos o armazenamento, um trabalho individual, focado e discriminatório, agora a colheita é um tempo de festa, de celebração e de partilha, pois o que a natureza agora nos oferece precisa de transformação, a transformação que o Outono preconiza e que é tão especial.

Com o Equinócio de Outono, no Hemisfério Norte, chega-nos o signo de Balança e somos levados a viver a sua energia. O Equinócio é o momento em que a Terra se alinha com o Sol, fazendo com que dia e noite sejam vividos em igualdade de tempo. À semelhança do início do Ano Astrológico, com a entrada do Sol em Carneiro, este é um tempo de reequilíbrio e de ajustamento, mas, se antes vivemos um tempo de crescimento e de luz, agora é chegado o tempo da sombra, do caminho pela morte necessária para um novo ciclo de vida. Por isso, em Balança iniciamos um novo ciclo, onde largamos um trabalho pessoal e individual, transitando para um trabalho sobre o outro e sobre o colectivo, a projecção dum propósito maior aqui na Terra.

Balança é o sétimo Signo do Zodíaco, o Signo Cardinal do elemento Ar, aquele que manifesta o início da terceira estação do ano, carregando-a com a energia da conceptualização, do pensamento projectado, da relação como uma comunicação, da busca da harmonia e do equilíbrio. Este é o signo onde começamos a compreender que, ainda que seja importante estarmos aqui encarnados, trabalhando o valor do nosso Eu e as nossas capacidades, existindo, exprimindo-nos e aperfeiçoando-nos, o trabalho, no fundo, que os anteriores signos nos pediram e nos permitiram integrar, isso de nada nos serve se não o podermos doar e partilhar com alguém.

Comunicar é diferente de simplesmente falar, pois implica interacção, implica a dádiva e o recebimento, e essa é uma das grandes aprendizagens de Balança, muitas vezes mais focado ainda em apenas dar, em apenas ser presente para o outro.

No entanto, esse trabalho nem sempre é fácil ou simples, pois pede-nos um trabalho de aprendizagem de comunicação, de dar e receber informação, de respeito pelo outro, mas também de respeito por nós mesmos, sob pena de perdermos a empatia e a conexão que nos permite fazer com que um mais um seja mais do que dois. Se pensarmos num trabalho tão peculiar desta época do Outono, que é a vindima, compreendemos que ele é um trabalho de comunicação muito profundo e especial, que se tal não acontecer, não perdemos só o fruto, mas perderemos tudo aquilo que ele poderá gerar, como o vinho, o vinagre e tantos outros produtos que dali advêm.

Comunicar é diferente de simplesmente falar, pois implica interacção, implica a dádiva e o recebimento, e essa é uma das grandes aprendizagens de Balança, muitas vezes mais focado ainda em apenas dar, em apenas ser presente para o outro. Contudo, esse é um reflexo da energia de Carneiro que necessita de ser trabalhada e integrada, demonstrando-nos uma das grandes características que é activada a partir deste signo, esse mesmo reflexo, pois, ao entrarmos na segunda metade do Ano Astrológico, começamos a trabalhar a complementaridade, tarefa árdua e muito desafiadora.

É neste sentido que Balança recorda-nos que o outro é um espelho de nós mesmos, que reflecte quem somos, que nos mostra, através de atitudes, de palavras, de pensamentos e sentimentos, algo que precisamos de ver em nós, a verdade de nós que precisamos de encarar. Cada um daqueles que nos rodeia tem um pouco de nós mesmos, traz-nos algo que nos é familiar, complementa-nos, ensina-nos e mostra-nos o que precisamos de trabalhar para poder crescer e evoluir. Ser humano implica ser social, e tal, na realidade, é uma partilha profunda, como uma estrutura que se constrói por interacção de todos, cada um no seu local. Balança tem essa percepção profunda, a do papel importante que cada um tem, primeiro entre indivíduos, depois, com essa aprendizagem feita, dirigindo-se também para o colectivo.

Por isso, esta energia é conhecida por uma certa indecisão, por um constante pender, por uma constante necessidade de dar tudo ao outro, para que ele esteja bem, para que ele se compreenda amado, confortável e seguro. Esta atitude, muitas vezes, implica a vivência de um extremo, manifestado pela não integração da energia complementar de Carneiro, nem sequer de toda a aprendizagem de individualidade iniciada pelos três signos anteriores, levando a um impulso de apagamento ou mesmo de anulação.

Balança é um signo de Ar, de foco em energia mental, e, por isso, o seu propósito não é a vivência emocional do Amor, mas sim a compreensão dessa energia através do outro, da ressonância que ele nos traz, do caminho que ele nos mostra e que podemos partilhar com ele. Quando nos permitimos doar-nos, mas ao mesmo tempo abrimos o nosso coração para do outro podermos receber o que ele tem para nos dar, quando nos permitimos também ser um espelho, tornamo-nos maiores do que nos mesmos, amplificamo-nos e compreendemo-nos melhor.

A aprendizagem da partilha é, desta forma, um dos maiores trabalhos deste signo, uma das mais potentes, mas desafiadoras, aprendizagens. Partilha implica a consciência profunda do meu Eu, a integração das minhas características e a preservação da minha identidade, pois só assim saberei qual o limite da minha dádiva, de forma carinhosa, humana e intensa. Se tal não se verifica, não saberei o que tenho para dar, para oferecer e, por isso, darei algo que, muitas vezes, faz-me falta, na ilusão e na ingenuidade de estar a fazer algo de muito importante. Da mesma forma, partilha implica recebimento, um limite também essencial para que haja justiça e equilíbrio, conceitos que são essenciais para a evolução da energia de Balança.

Justiça e equilíbrio são dois conceitos muito característicos deste signo, profundamente manifestados pela simbologia do momento do Equinócio. Como referi no início, este é o momento em que o tempo de luz e de trevas é igual, dando-nos o ensinamento, através do macrocosmos que é para nós o sistema em que estamos inseridos, que precisamos de passar por ambos para podermos crescer e evoluir na aprendizagem que cada ciclo das nossas vidas nos traz. É o signo de Balança que nos traz o crescimento das trevas na nossa realidade, não no sentido negativo e religioso do termo, mas sim o do mergulhar dentro de nós mesmos.

No fundo, Balança é também uma representação duma consciência presente desde o início dos tempos, a de que a vida leva-nos até à morte, pois sem ela também não há novamente vida, e essa é a mais profunda e, de certa forma, bela, manifestação da lei do equilíbrio, do dar e do receber, a Justiça divina na sua pureza. Em cada civilização encontramos esta verdade, e é extremamente interessante que o panteão egípcio a colocava entre os lugares maiores das divindades. Maat era a deusa da verdade e da justiça e era ela a quem estava entregue a ordem cósmica e o equilíbrio de todas as coisas.

Deusa Maat, representada no túmulo de Nefertari

Os egípcios acreditavam que após a morte a alma passava por diversos portões e, ao chegar à sala do julgamento, o seu coração era pesado por Osíris, que o colocava na sua balança, onde Maat, no outro prato, colocava a pena da verdade, sempre representada na sua cabeça. Se o coração tivesse o mesmo peso da pena, então a alma poderia ir em celebração com os espíritos e divindades, mas se o coração estivesse pesado, então era entregue a Ammut, criatura devoradora de pecadores, que a destruía. Sem o trabalho de Maat, o universo ficaria entregue a Isfet, sua irmã, deusa da injustiça e do caos, manifestação da dualidade integrativa primordial que nos compõe na existência terrena.

No entanto, esta mesma mitologia recorda-nos que apenas o coração leve pode elevar-se ao paraíso. Este é o mesmo princípio que rege todas as coisas na Terra. Todo o crescimento implica mudança e assim como as folhas que amarelam e caiem no chão, que irão ser o alimento para novas plantas, também nas nossas vidas há coisas que nos consomem e que precisamos de largar para podermos criar nova vida em nós. Por isso, é o vento, movimentação de ar, tão característico desta altura, que começa a soltar e a levar as folhas que já cumpriram o seu papel em relação à árvore.

Carta XI – A Justiça, no Tarot, que está ligada ao signo de Balança

Quando não nos permitimos libertar do que já não faz parte da nossa vida, sejam pessoas, hábitos, pensamentos, sentimentos ou situações, vamos ser por isso consumidos e anulados, vamo-nos tornar uma sombra de nós mesmos, entregando o nosso poder a algo ou a alguém. Por isso, Balança é um também um tempo de reajuste, de redefinição do nosso caminho, um tempo de preparação, de tomada de consciência, do que nos rodeia e de tomar decisões para um profundo reequilíbrio, para podermos doar-nos, sim, sem medos, sem angústias, sem receios, mas também confiando, integrando os espelhos que a vida nos mostra, aprendendo a receber e a ver a subtil beleza que existe em tudo, mesmo tudo, o que a vida nos dá.

No fundo, este é um trabalho de amor e dádiva a nós mesmos, trazido pelo lado mais conceptual e menos terreno de Vénus, regente do signo, que busca a beleza e a harmonia, manifestações de um equilíbrio que depende, unicamente, do nosso próprio conceito e ideia desses valores. É em Balança que saímos da ordem individual, muitas vezes egocentrada, do nosso mundo, apreendida através do trabalho dos signos anteriores, essencial para a construção do nosso Eu, sem dúvida, e contactamos com a percepção da subjectividade, da diferença e da necessidade de as aceitar, em respeito profundo pelo outro na sua individualidade.

Só podemos respeitar e aceitar o outro, sem julgamento e sem preconceito, se o fizermos também em relação a nós mesmos. Este é, muitas vezes, um enorme desafio, uma tarefa titânica para a energia deste signo, pois a vibração mental muito intensificada nos seus conceitos e nas suas verdades levam a uma dificuldade em podermos ver o outro a nossa própria verdade. Isso faz com que, invariavelmente, façamos chegar até nós os espelhos que irão reflectir o trabalho que necessitamos de fazer. Contudo, para podermos cumprir o grande propósito de Balança, o do amor e do respeito, precisamos de ser humildes perante nós mesmos, respeitando-nos de tal forma, que saberemos impor o nosso limite, mas respeitaremos também o limite do outro, a expressão do seu próprio ser.

Se o soubermos fazer, a energia de Balança começa a manifestar-se na sua superior dimensão, e o equilíbrio transforma-se em harmonia, elevação da energia de partilha e da relação até um nível que é materializadora e criadora. A elevação da energia de Balança, na verdade, leva-nos à aprendizagem do amor como aglutinador e potenciador, nomeadamente de cura e de libertação, em que a doação do nosso Eu não se revela como uma subtração ou uma diluição, mas sim como uma enorme multiplicação, símbolo da verdadeira prosperidade, aquela que só chega quando vibramos dentro de nós numa sintonia de respeito, compreensão, amor, tolerância e dádiva perante nós mesmos, que projectamos também para o outro, que se manifesta de forma cristalina quando percebemos que ela não provém de bens materiais ou adornos que colocamos em nós (ou nas nossas casas), mas sim da expressão duma beleza superior, a que é expressa pela nossa Centelha Divina, a que revela o melhor que temos para dar.

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