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O Propósito de Ser

20180913opropositodeser

Muitas vezes, pessoas chegam até mim na busca de compreenderem o seu propósito de vida, o porquê, no fundo, de terem vindo a esta Terra e terem assumido um caminho de encarnação neste planeta. Contudo, nem sempre esta resposta é linear ou taxativa, maior parte das vezes é até bem vaga, o que não significa que esteja incorrecta ou que seja mais ou menos difícil de cumprir.

A grande questão intrínseca a este conceito é que a condição humana pede, muitas vezes, coisas palpáveis, concretas e materializáveis, não dando muito espaço para a dimensão tão profunda e, ao mesmo tempo, vasta do que é essa “coisa” dum propósito de vida. É esta enorme vastidão, esta dimensão tão profunda e espiritual, a que o nosso mapa natal, à luz da linguagem astrológica, por exemplo, nos permite aceder e descodificar.

A busca de um propósito não é algo imaginado ou pré-concebido. Pelo contrário, ela tem uma origem muito bem definida, manifestada por um princípio espiritual que acredito e defendo, relativamente simples de se explicar, mas muito complexo de se entender e experienciar. Nós somos partes de um Todo, um grande Espírito a que poderemos chamar de Deus, de Fonte ou, até mesmo, de Universo. Esse Todo não é estanque e fechado, pelo contrário, é bastante dinâmico, sempre em movimento, em expansão e contração. Talvez, quem sabe, esse mesmo Todo pertence a um outro Todo e, na realidade, funcionamos todos numa espécie de Matrioska multidimensional.

Mais importante do que esta dinâmica é a percepção que, quando nos propomos ou escolhemos (ou outra coisa qualquer) vir à Terra e cumprir um propósito de encarnação, temos, necessariamente, de nos separar desse Todo, tornarmo-nos uma partícula dele, uma Centelha Divina, que irá ser sintetizada naquilo que chamamos de Alma, a ponte entre a dimensão do Espírito e a do corpo terreno, tridimensional. O Espírito, pela sua dimensão e força, não teria possibilidade de encarnar directamente num corpo físico, pois a nossa dimensão, a densidade da matéria que nos compõem, assim como a nossa estrutura neurológica, que está em constante evolução ao longo das Eras, não suportaria uma pequenina partícula dessa imensidão.

…nem todos trazemos grandes propósitos mundiais, como um Einstein, um Hitler ou um Gandhi, mas todos os caminhos são necessários e válidos, essenciais e únicos, pois todos nós fazemos parte da mesma cadeia.

Ao escolhermos um propósito, escolhemos também um caminho de preenchimento, de elevação da nossa Alma, que nos traz, também, a necessária busca pelo retorno ao Todo, à Fonte. Uma das mais fortes condições da vida humana é precisamente este sentido da necessidade de atingirmos uma meta, que é esse retorno e, por isso, sentimos também a urgência de um caminho. A questão fulcral é que, maior parte das vezes, esse caminho não é composto de coisas muito palpáveis.

Isto leva-nos ao ponto de partida, à tal questão do propósito de vida, algo tão complexo e profundo, mas, ao mesmo tempo, tão simples e belo. Esta é a realidade, a mais pura e clara realidade, a de que um propósito de vida é simples, directo e focado, não é um caminho estranho e complexificado, cheio de armadilhas e testes. Na verdade, tudo o que vivemos nas nossas vidas, nomeadamente os obstáculos, dificuldades e provações, são grandes degraus que nos elevam e nos colocam mais próximo da meta do cumprimento desse tal propósito escolhido.

Um propósito de Vida não é uma missão suicida, tal como nós não somos uma espécie de kamikazes cujo propósito é ir “desta para melhor”. Contudo, como referi acima, um propósito de vida, maior parte das vezes, não é algo linear e concreto, não é uma espécie de objectivo, mas sim uma profunda aprendizagem que necessitamos de fazer nesta encarnação. Quando nos propomos a uma aprendizagem, há um percurso a ser feito, há o receber de informação e a experiência que o tornará conhecimento, a elevação da compreensão e a visão interior dessa base que se transformará, em última instância, em sabedoria.

Quando abraçamos uma encarnação, trazemos até este plano todas as condições que necessitamos para esse projecto. O corpo com as características que necessitamos, os pais que nos vão trazer até este mundo, as características de personalidade e inserção social que precisamos para cumprir este caminho. Da mesma forma, nascemos no tempo certo para vivenciar determinadas experiências e ter vivências específicas, com o nível tecnológico e humano necessário para o cumprimento desse tal propósito de vida. É essa conjugação de factores que o nosso mapa natal nos traz e que podemos descodificar através da linguagem astrológica.

No fundo, o nosso propósito não é apenas uma coisa, não é apenas um caminho linear, e também não o podemos olhar dessa forma. Nesse mesmo sentido, nem todos trazemos grandes propósitos mundiais, como um Einstein, um Hitler ou um Gandhi, mas todos os caminhos são necessários e válidos, essenciais e únicos, pois todos nós fazemos parte da mesma cadeia. Mesmo essas “grandes” figuras da história, tinham propósitos muito pouco lineares ou concretos, provavelmente nem sequer teriam consciência deles. Tinham, sim, sentidos, vontades, processos, impulsos, motivações, que activaram toda a dimensão do seu ser e conectaram, de forma positiva ou negativa, uma dinâmica espiritual que os fez moverem-se num sentido.

Muitas vezes, um propósito de vida é tão simplesmente a manifestação de uma consciência ou uma aprendizagem muito profunda e que, por isso, é constante e permanente. Muitas vezes, não se trata de nenhuma meta a atingir ou obra material a construir, mas sim de um edifício que necessita de ser estruturado e manifestado, o edifício mais especial de todos, o da nossa própria individualidade. Esse é o trabalho de uma vida, que não se retrata por um feito isolado, por algo material que fica para a posteridade, mas sim pelo legado de quem somos a toda a humanidade, o que quer que isso signifique.

Quando olhamos para o nosso mapa natal e começamos a descodificá-lo, começamos a aceder e a interpretar o nosso propósito de vida, integrando as várias parcelas das quais ele se constitui. Não faria sentido olharmos apenas para a dimensão terrena como parte dum propósito, seria demasiado egocêntrico pensarmos que tudo roda à volta da dimensão humana. Na realidade, como Hermes Trismegisto nos deixou na Tábua de Esmeralda, o que está embaixo é como o que está em cima e o que está em cima é como o que está embaixo, o que significa que somos uma dimensão micro de um macrocosmos, da mesma forma que somos formados, também, por um microcosmos, e assim sucessivamente.

Então, o propósito de uma vida é a materialização de um propósito maior, o de um espírito, que se manifesta através dum outro propósito, o de uma alma, integrados todos em outros propósitos ainda mais vastos, como é o da própria Terra ou o do Universo em que estamos inseridos, em toda a sua magnitude. Ainda que não possamos, ou não tenhamos de aceder a esses propósitos maiores, a verdade é que tomar consciência do nosso próprio propósito é uma revelação extremamente importante, que pode mudar de muitas formas a maneira como trilhamos o nosso caminho.

Do ponto de vista astrológico, tal significa olhar para os pontos essenciais do nosso mapa, interpretar o Ascendente, o Meio-do-Céu, o Sol e a Lua, integrar estes com todos os outros, que nos elevam a dimensão da compreensão do nosso Ser. É também compreender, identificar e descodificar, afinal, qual o caminho que escolhemos percorrer, pois é esse caminho que nos leva ao cumprimento do propósito de vida, assimilados igualmente através da missão de evolução que nos é trazida, nomeadamente pelos Nodos Lunares, e permitirmo-nos deixar, como uma flor que se abre no seu tempo certo, que o mapa se revele à nossa frente.

Contudo, é necessário ter consciência que entender o propósito de vida não é o resultado de uma consulta ou de um estudo, pois isso, o que pode (e deve) fazer é abrir os olhos, expandir a visão e colocar nas nossas mãos essa chave. Integrar um propósito de vida é experienciar, aprender, testar, cair e levantar, viver o presente, compreender o passado e lançar uma visão de futuro, é criar, pois se somos parte de um Todo, esse Todo que tudo criou, então em nós está também essa capacidade.

Um propósito de vida nem sempre é óbvio, é um facto, e muitas vezes passa por sentimentos, vivências e compreensões, integrações e aprendizagens, mas tem um sentido, o de podermos trabalhar em nós e elevarmo-nos, o de conseguirmos criar algo em nós que fique, que perdure, que se projecte para uma eternidade, não duma forma egocêntrica, não através do nosso nome ou da memória futura marcada numa placa de nome de rua, mas sim por algo superior, pelos corações tocados, pelas diferenças que marcamos, primeiro que tudo em nós, só depois nos que nos rodeiam.

De nada nos serve ter todo o conhecimento de uma vida, de inúmeras consultas ou cursos, das mais diversas áreas, para apenas hastear e abanar a bandeira da informação, do “eu sei qual é o meu propósito de vida”. Um propósito não serve para nada sem ser cumprido, sem ser trabalhado, e isso não significa, mais uma vez, algo concreto ou palpável, significa sim que a minha Alma se vai elevando, até ao momento final, se vai manifestando, como a pedra que é trabalhada e burilada, até revelar o diamante, ou como a obra que um pintor desenvolve até ao último retoque. Nesse momento, mais do que a sua origem ou o produto final, ela é, tão simplesmente, aquilo que realmente se propôs a ser.

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