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Aquário – O Caminho de Ser Humano

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Abraçar um percurso de encarnação na Terra, muitas vezes, maior parte das vezes, parece o aceitar duma missão louca e sem sentido. Por vezes, é sentirmo-nos desconectados e desfasados de tudo, desintegrados, não por algum tipo de descompensação psicológica ou emocional, mas tão simplesmente porque olhamos à nossa volta e o que vemos não conseguimos compreender, nem nos sentimos, sequer, identificados. No entanto, algo em nós nos faz permanecer, ficar, persistir, e isso é o sinal de que há algo de especial e único nesta jornada.

Existe uma grande diferença entre existir e ser. Na Terra, o mais simples é apenas existir, como uma função ou operação biológica e automática. Difícil, porém, é ser, pois isso implica uma forte tomada de consciência que só pode ser conquistada com uma profunda caminhada, compreendendo quem somos, as nossas capacidades e desafios, transformando-nos e elevando-nos em nós mesmos, até à manifestação do mais sublime que compõe a nossa existência, que nos impulsiona para sermos maiores do que nós mesmos.

Esse é o percurso feito pela jornada do Zodíaco, que nos levou de Carneiro a Capricórnio, activando cada estágio durante o caminho do Sol, o Espírito que se materializa num corpo através duma alma e que tem um propósito, elevar-se até à manifestação da sua essência. No entanto, essa manifestação individual, importantíssima e essencial, revelou um propósito maior, o legado que Capricórnio nos mostrou e activou, que não tem sentido se não for deixado, se não tocar corações, se não fizer parte de algo muito superior. É neste sentido que Aquário se revela no caminho zodiacal como um dos grandes pilares energéticos de todo este percurso, nem sempre claro ou simples, mas providencial e essencial.

O Signo de Aquário é representativo do ponto central do Inverno, o tempo frio que gela a terra, cobrindo-a com uma camada que, na realidade, é profundamente protectora e crucial para a vida que se vislumbra. Sem este tempo frio, gélido, que amplifica e cristaliza uma espécie de morte em tudo o que existe à face da terra, as sementes que residem no seu interior não teriam condições de recolher todos os nutrientes e prepararem-se para germinar, quebrando as cascas e criando as raízes que as sustentarão para que possam, na Primavera, rasgar a terra e ser a nova vida que nela habitará, o reflexo do legado da vida que já existe ou existiu à face do planeta. É neste tempo que a vida se projecta, que é apenas, ainda, um conceito, uma esperança para a continuidade de tudo o que nos define.

Aquário é o signo Fixo do Elemento Ar, a mente estática que, num propósito maior, compreende, define e projecta o futuro, integrando tudo o que estava para trás no seu percurso, dirigindo-nos para o que ainda não conhecemos. Este é o último signo do elemento Ar, mas também o último do modo Fixo no Zodíaco, o fechar profundo destas duas dimensões e a sua integração em todo o percurso. Isto significa que esta é uma energia muito densa e forte, que pela sua natureza elemental, muitas vezes não é compreendida nem sequer percepcionada de forma conveniente, o que gera grande complicações na sua vivência, algo muito visível quando temos muita energia deste Signo.

"A Castração de Urano" Fresco - Giorgio Vasari e Cristofano Gherardi, c. 1560 (Sala di Cosimo I, Palazzo Vecchio)

Se os últimos três signos do Zodíaco são a materialização de todo um percurso, e se o elemento Ar é a dimensão mental e conceptualizadora da existência, em Aquário encontramos a mente no seu estado mais próximo do que percepcionamos de divino, uma espécie de voz de Deus em nós, a mais profunda capacidade criadora que está latente na existência humana. No entanto, a encarnação é uma profunda densificação do espírito e, nesse sentido, todas essas capacidades não são, muitas vezes, facilmente activáveis, pois somos matéria, e ela tem regras muito específicas. Por isso, Aquário é um Signo com uma energia dual, onde a rigidez dos pensamentos e dos valores se confunde e mistura com a diferença, a inovação e uma visão única e especial, a manifestação duma dupla e, por vezes, tão radical regência de Saturno e Úrano.

No plano terreno, a diferença é difícil de ser aceite e integrada, e é ela a responsável por maior parte dos problemas que vivemos neste planeta, gerando guerras, conflitos, fome, pobreza e tantas outras questões que nos assolam desde o início dos tempos. No entanto, é a diferença, o assumir desta dimensão, que nos permite sermos nós mesmos, que nos permite identificarmo-nos com a nossa essência, abraçar o sentimento de unicidade e revelar a nossa individualidade. Para isso, precisamos de enfrentar e integrar os dois planos de Aquário, a compreensão e respeito profundos pela estrutura que Saturno nos exige, nomeadamente através da vivência do corpo e do Tempo e da sua mestria nas nossas vidas, mas também a inovação e a imensidão que são reflectidas pelo quebrar das estruturas que Úrano preconiza. É este conflito intemporal, bem conhecido pela mitologia, que se manifesta através da energia de Aquário.

Entre estes dois planetas está a fronteira entre o conhecido e o incógnito, entre a matéria e o que se coloca para além dela, entre o humano e Deus, e é nesse caminho que Aquário se encontra, na compreensão do seu Eu, da sua individualidade, da sua unicidade perante um Todo, perante o mundo em que vive, perante a sociedade, perante os grupos, com o propósito de se destacar pelo que é e que tem para dar, para acrescentar, e não apenas por um brilho puramente do ego. É esta diferença que, tantas vezes, cria conflitos internos que levam a que esta energia viva numa constante indefinição e a dirija a uma radicalização, a um sentimento de exclusão e marginalização, manifestação do grande e complexo desafio de Aquário.

Isto leva-nos a perceber também que Aquário é o último pilar energético do Zodíaco, a integração da energia Fixa na estrutura da dimensão terrena, a par de Touro, Leão e Escorpião. Tudo o que foi vivido para trás encontra agora sustentação na nossa mente, na dignificação dessa parcela do nosso ser, que nos dirige para uma das maiores e mais árduas tarefas do caminho de Aquário. É em Aquário que fazemos um caminho importante, o da percepção da diferença que nos leva à individualidade, onde compreendemos que apenas quando nos revelamos na nossa unicidade acendemos a luz da Centelha que nos habita, que apenas quando respeitamos o outro como nosso igual na sua própria identidade nos tornamos naquilo que viemos fazer à Terra e, assim, estamos verdadeiramente preparados para retornar ao Todo. Aquário é, assim, o Signo que nos confere a mestria duma das mais difíceis tarefas, a de sermos humanos.

Após todo o percurso feito, é necessário conhecermo-nos na nossa totalidade, mas de forma a podermos afirmar a nossa Centelha Divina, a termos a termos a possibilidade de nos aproximarmos do divino em nós sem que sejamos ofuscados ou sem ficarmos assoberbados pela sua Luz. Só nesta compreensão poderemos dar mais um passo na compreensão da nossa existência e do propósito da vida na Terra, algo tão estranho, complexo e com um sentimento de desnecessário para este signo. Neste sentido, Aquário solicita-nos um trabalho profundo sobre a compreensão da nossa individualidade, assumindo a diferença e a unicidade, a compreensão de quem somos e de que, sendo quem nos propusemos a ser, podemos, efectivamente, ter a capacidade de mudar o mundo, não na sua forma, mas no seu conteúdo, não na matéria que já conhecemos, mas sim no gérmen de tudo, o conceito.

Aprendermos a ser humanos é abraçar esta distância e criar uma ponte entre a terra e o céu, como o célebre fresco de Michelangelo na Capela Sistina, representando a criação de Adão.

A melhor forma de mudar algo não é moldando o existente, tentando corrigir, tentando colocar uma nova capa ou uma nova máscara. Na realidade, é acedendo à essência, à origem, que poderemos modificar seja o que for, e essa é a grande tarefa de Aquário, ser a energia de conceptualização do futuro, da mudança, o potenciar de tudo o que, na verdade, ainda não existe, mas que está contido no nosso Espírito, que pode ser alimentado até ao momento certo, até ao ponto em que o mundo está preparado para a receber. Como a semente que está dentro da terra, alimentada por tudo o que ficou lá guardado, transformado e transmutado, a dádiva da vida precedente à vida futura, também todo o percurso das nossas vidas, potenciado, etapa após etapa, encarnação após encarnação, permite-nos renascer para quem somos, para o apuramento e a elevação da essência do nosso espírito.

Contudo, tal só é possível quando cumprimos o propósito de Aquário, o trabalhar da nossa individualidade através do respeito e aceitação da nossa diferença e da nossa unicidade. Isso nem sempre é fácil, pois Aquário é o Signo onde o Sol está no seu exílio, ou seja, onde ele tem maior dificuldade de se manifestar na dimensão terrena, pois, na verdade, este Signo pede-nos que sejamos capazes de trabalhar o nosso verdadeiro Eu, que transformemos a nossa vivência de ego num trabalho superior, o de reconhecermos a nossa individualidade, a nossa originalidade, onde somos inovadores e independentes, onde necessitamos de assumir essas mesmas características.

É através da sua energia que necessitamos de nos projectar no futuro, numa visão global de nós, numa individuação positiva, o reconhecimento da nossa Centelha Divina e do quanto temos para dar de nós mesmos ao mundo que nos rodeia. Se entrarmos em conflito com esta energia, este sentimento de trabalho colectivo com um sentido de dádiva individual e única transforma-se num desligamento, numa desconexão da realidade terrena, assumindo-a como negativa, radicalizando a nossa postura. Contudo, se, pelo contrário, soubermos compreender que somos únicos, que temos algo de especial para dar neste propósito de manifestação na matéria na Terra, e se soubermos potencializar isso também no outro, puxando-o e ajudando-o a activar a sua unicidade, cumpriremos o propósito de Aquário na sua manifestação neste plano, o de nos mostrar na perfeita e divina imagem da criação, no cumprimento da ancestral verdade de que todos nós somos feitos à imagem e semelhança de Deus.

Aprendermos a ser humanos é abraçar esta distância e criar uma ponte entre a terra e o céu, como o célebre fresco de Michelangelo na Capela Sistina, representando a criação de Adão. Contudo, esta aprendizagem é muito mais complexa e profunda que a simples criação, ela é o depositar em cada ser da responsabilidade de assumir uma parcela do divino aqui na Terra, compreendendo-a na sua magnitude, em todos os seus contornos, na sua unicidade, que leva a um profundo processo mental, o da compreensão e aceitação de todas as diferenças, mesmo todas, até mesmo as mais feias ou as mais negras. Só dessa forma conseguiremos estar em paz connosco, com a vida, com a, muitas vezes, revoltante missão de nos densificarmos na dimensão terrena. Por isso, Aquário é o signo onde a separação do Todo se torna tão dura e difícil, pois ela é declarada e assumida, pois ela é sentida internamente, dando-nos uma percepção da contenção duma dimensão gigantesca.

Então, o primeiro sentido de Aquário é o de olhar a jornada terrena pelo olhar da revolta e do desligamento, como seres exilados num território estrangeiro e distante de casa. Esta vivência reflecte a dimensão simbólica de Cronos (Saturno), que castrou o pai, Úrano, revoltado pela forma como ele regia o mundo, como ele odiava os seus próprios filhos e os enviava para as profundezas do Tártaro. Imbuído pela revolta, durante o seu sono, Cronos castra o pai, a sua própria origem. Numa perspectiva mais próxima de nós, podemos também perceber que Adão se afastou de Deus através da escolha de comer do fruto da Árvore da Ciência do Bem e do Mal, sendo por isso expulso por Ele do Éden, iniciando o percurso da humanidade na Terra através da vivência dolorosa e sacrificial, árida e sofredora, que culmina com a morte da carne. É este peso que Aquário, tantas vezes, carrega dentro de si, não conscientemente, mas sim como uma espécie de dor, de revolta latente do próprio Espírito, que o faz olhar para este percurso como um castigo ou uma culpa, criando uma dissociação perigosa e avassaladora com a própria dimensão terrena.

No entanto, se apaziguarmos o nosso coração, compreendemos que existe nesta missão, na verdade, uma enorme tarefa, a de levarmos a diferença até um local muito uniformizado, condicionado por regras e estruturas, tantas vezes, caducas e desajustadas. Essa vivência conceptual, que encontrará uma nova dimensão na próxima, e última, etapa, é um recolher das muitas parcelas que nos compõem, da aceitação profunda de todas as verdades, do reconhecimento de que tudo tem um lugar e um momento certos, que tudo tem uma orgânica perfeita, da qual também somos parte, mas que, se não fizermos a nossa parte, não seremos muito diferentes de tudo o que recusamos. De forma humilde e profunda, é em Aquário que temos o propósito, através do assumir deste papel, da vibração da mente divina em nós, de sermos um farol que faz elevar os olhares, retirando-os das trevas para a Luz, de sermos, assim, a chama que acende outros tantos pontos de Luz, que cria e gera uma cadeia perpétua e contínua de revelações e manifestações, até à última, começando em nós próprios, permitindo-nos acender também a nossa Centelha e reconhecendo-nos em tudo aquilo que nos torna, verdadeiramente, humanos.

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