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A Candeia da Compaixão

20150427

Bom dia!

Num episódio sobejamente conhecido do Novo Testamento, o Mestre Jesus estava a ensinar no Templo, quando lhe foi levada pelos doutores da lei e pelos fariseus uma mulher que tinha sido apanhada em adultério. Alegando que a lei de Moisés dizia que aquela mulher deveria ser apedrejada, e tentando apanhar Jesus em falso para o acusarem, perguntaram ao Mestre o que é que Ele tinha a dizer sobre isso. De forma calma e pacífica, Jesus continuou a escrever no chão com o dedo, mas com tanta inquirição, levantou-se e apenas disse: «Aquele que de vós nunca pecou, atire-lhe a primeira pedra.» Afastando-se todos de seguida, Jesus levantou-se e perguntou-lhe: «Mulher, onde estão eles? Ninguém te condenou?». Ela respondeu e Ele apenas lhe disse: «Também eu te não condeno. Vai-te embora e daqui em diante não tornes a pecar.»

Nos seus ensinamentos, o Mestre falou-nos de Amor, de Aceitação e de Compaixão. Jesus, e muitos outros Mestres, trouxeram-nos apenas essa mensagem, a do Amor, pois sem Amor nada é possível. Quando vivemos em Amor, a Aceitação e a Compaixão levam-nos a deixar os julgamentos de parte, a olharmos uns para os outros como iguais e a compreender que todos somos espelhos uns dos outros e todos somos parte de um Todo muito maior.

Pode-nos revoltar ver alguém que violou e matou adultos ou crianças, que destruiu vidas, que roubou e mentiu, mas quem somos nós para fazer justiça pelas nossas mãos, julgando e apontando o dedo? Quem somos, cada um de nós, para julgar a vida do nosso irmão, quando nem sequer sabemos por que caminhos aquele ser andou. Terão sido os sapatos dele mais confortáveis que os meus?

Contudo, o que vejo à minha volta, na era da Internet e das Redes Sociais, são muitos juízes dos outros e poucos de si mesmos. De todas as alas e de todos os tipos, desde o simples e comum camponês, passando pelo catedrático e, até mesmo, por muitos daqueles que dizem receber canalizações de Mestres, que contactam com Guias, ensinam multidões e até adoptam nomes espirituais, de todos os lados, hoje somos bombardeados com este tipo de postura que, na realidade, não é mais do que mais uma manifestação da sombra que ainda cobre este planeta mas que, cada dia mais, é vencida e transmutada em Luz.

Sim, somos humanos e tropeçamos, todos nós sem excepção, caímos em julgamento, partimos de pressupostos e apontamos tantas vezes o dedo sem, antes, olharmos para nós. Não é esse o mal, o de tropeçarmos, o de julgarmos, é o de continuarmos e mantermos essa postura e não a transmutarmos naquilo que realmente vai mudar o mundo: o Amor. Se cada um de nós fizer o esforço de transformar pensamentos de julgamento em Amor, de aceitar as diferenças e tentar compreender que, na realidade, mais e mais pessoas necessitam de um pouco de Amor nos seus corações, estaremos capazes, realmente, de ajudar seja quem for, pois nesse momento também nos estaremos a transformar e a ajudar a nós mesmos.

Só dessa forma, também, seremos capazes de orar por aqueles que necessitam e estar, efectivamente, a enviar a Luz que necessitam. Só dessa forma estaremos a fazer, da forma correcta e humana, verdadeiramente divina, o bem a todos aqueles que são vítima de catástrofes, do ódio, da guerra, da fome e de tantos outros flagelos.

Basta olharmos para o mundo à nossa volta para compreendermos como o nosso planeta está a purgar, como um corpo físico luta contra o invasor e manifesta-se pela febre. Como um bálsamo, a nossa oração pelas vítimas dos naufrágios no Mediterrâneo, pelos milhares que morreram nas últimas horas no Nepal, vítima do sismo, por todos os seres que morrem de fome e de frio, em guerras ou em condições desumanas, pode mais fortemente chegar e marcar a diferença se, em cada momento, cada um de nós fizer a sua parte, amar-se, aceitar-se e viver na mais profunda compaixão, pois na realidade, ela é uma candeia que pode alumiar os caminhos do nosso Mundo.

Boa semana!

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