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Carneiro – O Primeiro Impulso

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No princípio tudo e todos somos fogo, vontade, impulso, somos uma centelha do Todo constituída Espírito que se separa para crescer e retornar à morada do Pai. Nesse percurso de separação e reunificação escolhemos, se assim for o nosso propósito, um percurso de encarnação na Terra para cumprir o que podemos chamar de missão, para evoluirmos, aprendermos, experienciarmos e amarmos. É neste maravilhoso planeta-espírito que abraçamos uma das mais desafiadoras jornadas que um espírito pode escolher, iniciando a vida com o impulso do fogo gerador, vendo a luz através do impulso-dor do parto, respirando pela primeira vez através da dor que é o impulso da vida consciente. A dor que é também vida, a dor que é impulso, a dor que é a representação da coragem, do guerreiro em nós, da força do primeiro Signo, Carneiro.

Somos sistemas inseridos em outros sistemas que, em última instância, do ponto de vista consciente e energético, estão integrados num poderoso e enorme sistema, o do Zodíaco. Muito mais do que simples estrelas agrupadas em constelações, visionadas por seres num qualquer momento da vida humana neste planeta, o Zodíaco é um círculo energético que nos envolve e influencia, que nos entrega a sua semente como dádiva do Universo para o desenvolvimento na Terra. Ele é, na verdade, um enorme ovo cósmico gerador e impulsionador, integrado num Universo tão vasto quanto desconhecido, tão misterioso quanto maravilhoso, onde tanto acontece e tanto permanece.

Quando, na sua trajectória, a Terra e o Sol se alinham com o ponto Vernal dá-se o Equinócio da Primavera no hemisfério norte, o momento em que dia e noite têm o mesmo tempo, o início do Signo de Carneiro, a representação da semente que rasga a Terra e revela-nos o seu Universo de potencial, que liberta o potencial e o impulso de vida que nela estava contida e adormecida. Mais uma vez, a dor do quebrar a casca, rasgar a Terra, arriscar elevar-se para a Luz do Pai depois de se aprofundar, através das suas raízes, sublimes representantes da memória, na Terra Mãe, na missão de tornar-se o que se propôs ser até dar os frutos e deixar o seu legado. Tal como a semente, assim somos nós, seres humanos, na escolha dum percurso de encarnação.

Escultura – Ares Ludovisi
Representação do deus Ares (grego, que dará origem ao romano Marte), presente no Museu Nacional Romano.

Carneiro é o primeiro Signo do Zodíaco, o primeiro Signo do primeiro Elemento, Fogo, do primeiro Modo, Cardinal, ele é a força genuína, pura e crua da Vida. Representante do Equinócio, ele é a noite que dá a vez ao dia, a luz na sua ascensão que percorre o caminho de iniciação para ser coroada no Solstício de Verão. Carneiro é o Guerreiro em nós, aquele que se ergue para ser vitorioso, que tem em si a força da Vida que o habita e a coragem de abraçar desafios, a liberdade de ser ele mesmo, sem medo, sem receio, sem anseio. Carneiro dá o arranque para um novo ciclo, para o que podemos chamar de novo ano astrológico, o início de mais um percurso solar na espiral de evolução.

O Sol, manifestação e representação do Espírito, de todos os Espíritos, é o gerador de vida, o potenciador da energia libertada pelo Zodíaco, que atravessa o espaço e nos brinda com as suas mais ínfimas partículas, aquelas que, numa perspectiva quântica, vibram em nós e nos auxiliam em mais um ciclo de desenvolvimento. Ao alinhar-se com o Sol e o ponto Vernal, a energia de Carneiro é activada na Terra, abre um novo ciclo e relembra-nos que a vida, a verdadeira Vida, é uma dádiva, uma bênção, que nos é dada por nossa escolha e que pede o integrar da vibração que habita no coração do Guerreiro, o respeito, a honra, a vontade, a coragem e a entrega. É neste sentido que a regência de Marte se enquadra na perfeição, pedindo ao impulsivo, impetuoso e conquistador deus o sublimar do seu fervor sanguíneo, ensinando-o a direccionar a sua energia em prol, não da guerra e da destruição, mas sim da Vida, da Luz, da Verdade.

Carneiro recorda-nos que a encarnação é o espírito tornado corpo, que o corpo é vida. É a encarnação a escolha, a presença, o fundamento do nosso percurso, o aqui e o agora, representado pelo instante constante que ele representa, carregado de memórias nas suas células e no cérebro, sem dúvida, mas em permanente desenvolvimento e evolução. Quando as memórias ganham força, o corpo sedimenta-as e somatiza-as, o passado aprisiona, como um trauma de guerra, e a energia de Carneiro bloqueia e torna-se destrutiva, força bruta sem sentido ou direcção, carregada de ansiedade e instável. Contudo, Carneiro pede-nos a consciência do corpo físico como o precioso veículo da encarnação no seu propósito, o Guerreiro que afirma quem é em cada momento, que tem a coragem de ser ele mesmo em cada instante, pois sabe que é único, singular e especial.

Quando bem integrada e focada, esta energia, a de Carneiro, é a força motriz que nos leva para lá do que está instituído e estruturado, que nos projecta para a manifestação do nosso potencial, que nos dá o primeiro impulso para sermos muito mais do que um simples corpo que é animado por uma alma.

Carneiro pede-nos que olhemos o horizonte que nos é dado como um novo ciclo constante que nos espera, que arranca, pleno de possibilidades. Como a semente que, durante o Inverno, ganhou nutrientes e esteve protegida, que com as chuvas abriu para dar forma às raízes e conectar-se com a terra, rasgando depois em direcção à Luz, é através da energia deste Signo que temos a possibilidade de dar o impulso de vida e afirmarmos, com coragem e determinação, com vontade e força, quem somos, quem queremos ser, até onde queremos chegar. O maior obstáculo que impede o Guerreiro de conquistar e ser vencedor é ele mesmo, na crença que tem de si mesmo, na forma como se prepara, no respeito que tem por si, pela sua consciência mental, emocional e também espiritual, mas sabendo que se é na Terra que escolher percorrer a sua encarnação, então é o corpo físico o que maior respeito exige, pois é ele a manifestação do propósito, a mais bela construção divina nesta dimensão, perfeita mesmo quando parece imperfeita, única e sublime.

Ainda que, na nossa ideia e nos nossos conceitos, a energia do Guerreiro seja vista como uma energia bélica, agressiva e destrutiva, ela, na realidade, é muito superior a isso. Quando bem integrada e focada, esta energia, a de Carneiro, é a força motriz que nos leva para lá do que está instituído e estruturado, que nos projecta para a manifestação do nosso potencial, que nos dá o primeiro impulso para sermos muito mais do que um simples corpo que é animado por uma alma. Para o fazermos, precisamos de trabalhar os domínios da nossa mente e torná-la a catalisadora da nossa energia, que nos dá direcções, que alimenta o nosso propósito e que, nesse sentido, nos pede para estarmos presentes em nós mesmos, no agora, pois só dessa forma conseguimos dar-nos à nossa própria vida.

Carneiro nem sempre é perfeito, nem sempre é subtil ou sublime, mas ele é real, é directo, verdadeiro, sem filtros, é o que é e mais não lhe é pedido, pois só assumindo quem somos, na integridade da nossa existência e consciência, podemos fazer cumprir o propósito que nos trouxe à Terra e, em última (e talvez primeira) instância, é isso que o primeiro Signo do Zodíaco nos solicita, no esplendor da sua força, como o Guerreiro que grita para libertar energia e sair a correr para a sua conquista. Aprendendo o valor da Vontade e da Coragem, da Honra e da Verdade, do Respeito e da Entrega, estamos a ser iniciados no cumprimento da encarnação, na vivência do percurso que nos leva ao retorno à Fonte, ao Pai, sabendo quem somos, reconhecendo-nos como Guerreiros de Luz e Amor.

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