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Sinal de Vida

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Desde sempre que o ser humano busca respostas às suas questões, desde as mais concretas às metafísicas e espirituais. Buscamos respostas, na verdade, em busca de nós mesmos, em busca de quem somos, de onde viemos, do porquê de aqui estar. Procuramos o caminho de volta a Casa, no fundo, sem perceber que também esta é a nossa casa. Nesta senda, buscamos constantemente sinais, sincronicidades, alertas da vida e do universo que justifiquem as nossas questões, as nossas situações, como formas de orientação, de validação. Ao fazê-lo, activamos muito a nossa mente, para compreender, para entender, para descodificar, para retirar lições ou outra coisa qualquer, reforçando o nosso ego e não dando espaço àquilo que este percurso na Terra nos pede, a capacidade de viver.

Podemos, claro, ter orientações, focos, até mesmo os tais sinais. Muitas vezes isso é essencial ao nosso caminho, até porque um olhar externo é sempre uma mais-valia, mostra-nos uma visão que nós, sozinhos, nunca conseguimos ter. Esta visão é providencial, activa a nossa sensibilidade, coloca a mente em acção. No entanto, o grande propósito é tomarmos e amplificarmos a nossa consciência, e tal só é possível quando, paralelamente à nossa mente, é o nosso coração que se abre e nos permite sentir as palavras, as imagens, as direcções. Na busca incessante de encontrar sinais em tudo o que se vive, activamos e aceleramos um estado de alerta, um mecanismo do ego, e esquecemo-nos do que é mais importante, da vida que é preciso viver.

Como humanidade, os tempos que vivemos são de aprendizagens colectivas profundas, trazidas por acontecimentos muito fortes e intensos, cujo propósito é abalar estruturas e purificar consciências. Quando assistimos a algo que ressoa em nós, acontecimentos que nos tocam, positiva ou negativamente, há parcelas do nosso Eu, do nosso caminho, da nossa experiência, que dão um sinal. Estas sincronicidades, como lhes chamou Jung, são fios que se entrelaçam e unem partes do nosso ser que, se assim quisermos e se para elas estivermos disponíveis, podemos amplificar a nossa consciência e, eventualmente, transformar.

As perguntas que fazemos, consciente ou inconscientemente, e as respostas que procuramos, são reflexos dum entendimento que se refere mais a nós do que a tudo o que se passa, até porque, afinal, são estas situações, nomeadamente as mais desafiadoras, que nos fazem sentir completamente desajustados do mundo em que vivemos. A busca por respostas é também uma busca por compreensão de nós e do nosso propósito, mas tal tem-se tornado difícil, pois estamos num tempo tão intenso, as nossas mentes estão tão aceleradas, que nos esquecemos que tudo é vibração, tudo é energia e, como tal, tudo precisa de ser sentido, vivido e integrado, para que daí se possa tornar algo maior.

É o nosso coração que entende e dá sentido ao que a mente processa, e é a conexão destas duas parte do nosso ser que faz a ponte entre o que nosso Espírito pede e o que as nossas mãos precisam de criar. Na Terra, de nada serve ficarmos numa contemplação eterna, num pensamento perpétuo ou numa vivência constante e intensiva de emoções, pois tal postura é estéril se não ganhar um propósito. Neste plano, invariavelmente, esse propósito só pode existir se manifestado na matéria. O mesmo é dizer que não adianta estar sempre atento às mensagens que, supostamente, o universo nos manda, a registar todos os sinais que chegam até nós, a tentar entender os seus significados e até ter grandes epifanias, se depois eles não ganham forma, se através deles não mudamos nada ou não criamos a nossa própria vida.

Tudo o que estamos a viver e a passar, todos os desafios que nos são colocados, precisam, sem dúvida, de ser entendidos, compreendidos, de abrir a nossa consciência e serem integrados. Contudo, de nada servirão se depois, quando tudo passar e estes tempos forem apenas miragens, estivermos iguais, mantivermos os mesmos padrões, os mesmos comportamentos, as mesmas estruturas. Evolução implica transformação, implica morrer e renascer, e esse é o grande propósito do momento que vivemos, que só depende da forma como integramos as aprendizagens e com elas nos dedicamos a criar um novo caminho.

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