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Tudo o que conhecemos e que se passa em nós e à nossa volta funciona em ciclos. Cada momento faz parte de todo um processo extraordinariamente dinâmico e complexo, com muitas parcelas que ultrapassam a nossa própria compreensão das coisas, por tantas variáveis que o compõem. Dentro de cada ciclo, outros ciclos se processam, como um mecanismo extraordinário, composto de inúmeras rodas dentadas que, no seu funcionamento, activam outras e, sucessivamente, fazem tudo funcionar.

Cada ciclo tem o seu início, meio e fim, e em cada um há uma aprendizagem a ser integrada, conhecimento a ser adquirido, degraus a serem calcados, caminhos a serem percorridos. Quando nos predispomos a tal, elevamos a nossa consciência e avançamos no nosso propósito, abrindo as portas a novos desafios, a um novo ciclo que, no mesmo sentido de aprendizagem, nos coloca num patamar mais elevado de compreensão e de caminho, direccionando-nos mais e mais para o cumprimento de quem somos.

Nenhum de nós, quando vem a uma vida aqui na Terra, vem percorrer vários caminhos e cumprir ciclos sempre diferenciados. Até mesmo pensando numa dimensão maior, de reencarnações, de várias vidas que se integram umas nas outras, tal também não acontece para com o nosso espírito. Uma vida, um propósito, seja a que nível for, é um integrar de aprendizagens de elevação, de profunda evolução, que não passa por vivenciar e experienciar inúmeras coisas diferentes, mas sim por se elevar na mestria dos propósitos de aprendizagem a que se propôs fazer. Por isso, vivemos ciclos dentro de ciclos, caminhos dentro de caminhos, como linhas num tear que, trabalhadas, formam um tecido forte e sólido.

Vivemos tempos que, de forma global, são para nós, seres humanos, mas também para a Terra, profundas integrações de aprendizagens e fechar de ciclos. Essa dimensão maior projecta-se para cada um de nós individualmente e compreender toda esta dinâmica passa, primeiro que tudo, por um estado de observação profunda e dedicada, que nos auxilia a perceber as pontes entre os vários lados de tudo o que vivemos. É isso que nos tem sido solicitado, um foco no caminho que cada um de nós está a fazer, de forma a podermos compreender melhor as escolhas feitas e as que ainda se apresentarão à nossa frente, mas integrado num percurso maior, mais global, percebendo que não estamos desligados do que nos rodeia, bem pelo contrário, que cada uma das nossas atitudes também contribui para a transformação do mundo.

São os desafios mais profundos e dolorosos, aqueles que tocam onde mais nos faz diferença, onde mais nos dói, que nos permitem “voltar à Terra”, parar e recordar o que é estar vivo, pois eles mostram-nos que o que estávamos a fazer era, na verdade, tudo menos isso.

Ao longo de muitas décadas, individualmente, como sociedades e como humanidade, temos vindo a desconectar-nos do que representa a vida que a Terra nos oferece. Desligámo-nos da própria Natureza, da Terra, esquecendo-nos de que a nossa vida depende dela. Desligámo-nos da nossa natureza humana, vibrando muito profundamente na matéria, seja por carência ou necessidade das coisas mais básicas, seja por ego, por necessidade de riqueza e de poder. Esta desconexão desequilibra a harmonia que sempre permitiu o gerar da vida, e se tal é uma verdade directa e bem perceptível para a própria vida na Terra, também o é, quando olhamos atentamente, para as nossas vidas.

Na Terra viemos viver a dualidade, não para aprender a transformá-la em unidade, mas sim para aprender a integrá-la, a harmonizá-la, a com ela podermos crescer, pois é dela que a vida se gera e é nela que a se desenvolve, pelo menos como aqui a conhecemos e a podemos experienciar. Quando o equilíbrio desaparece, oscilamos rapidamente entre os extremos e a vida que tem capacidade de existir desenvolve características especiais, que normalmente envolvem a sobrevivência e mecanismos de protecção. A enorme desconexão que globalmente vivemos, mas que da qual, felizmente, muitos começam a despertar, levou a deixarmos de viver e a simplesmente sobrevivermos, num ritmo contínuo e sem sentido, como se pairássemos sobre a Terra.

Os desafios que nos estão a ser colocados, sejam eles individuais ou colectivos, solicitam-nos, primeiro que tudo, um religarmo-nos à vida, e por isso todos nós temos vivido, de formas diferentes, processos de grande impacto. Quando estamos num ritmo desconectado, apenas com uma paragem súbita e forçada existe a possibilidade de conseguirmos perceber o que estamos a construir e nos predispormos a conectarmo-nos à nossa própria vida. São os desafios mais profundos e dolorosos, aqueles que tocam onde mais nos faz diferença, onde mais nos dói, que nos permitem “voltar à Terra”, parar e recordar o que é estar vivo, pois eles mostram-nos que o que estávamos a fazer era, na verdade, tudo menos isso.

O problema, a dificuldade, o desafio, o medo, tudo o que nos é trazido de mais difícil, não é um castigo nem sequer existe no nosso percurso para nos bloquear. Pelo contrário, faz parte do nosso próprio caminho, é um degrau que precisamos de subir, um trilho que precisamos de percorrer, que tem um ensinamento para nos oferecer, um tesouro para resgatar. Se, levados pela desconexão, nos entregamos ao problema, ao desafio, então mantemo-nos no extremo, alimentamos a vítima, e amplificamos a destruição que já vínhamos a fazer, tão simplesmente porque fugimos de olhar para nós, de nos centrarmos, de nos religarmos a nós mesmos.

Nos tempos que vivemos, em tudo o que nos tem sido apresentado, o que mais nos é pedido é para desacelerarmos e nos recordarmos do que é absolutamente básico nas nossas vidas, o que é essencial para podermos sentir-nos vivos e viver felizes. É apenas quando reduzimos a velocidade em nós que conseguimos ter uma visão mais integrada de todas as coisas que se passam à nossa volta, na nossa vida e no mundo, e assim conseguirmos escolher o que nos nutre, o que nos enriquece, o que nos traz felicidade, integrando com as necessidades e desafios que nos são apresentados.

Respirar, ouvirmo-nos, permitirmo-nos sentir, libertar as nossas emoções, conversar connosco, viver em Verdade, sermos nós mesmos, colocar limites, são tudo vivências essenciais para o nosso bem-estar. No entanto, só são possíveis quando, através desse reduzir de velocidade, conseguimos voltar a nós, ao nosso centro, e nos permitimos religar à nossa vida, criando e nutrindo raízes, reconectando-nos com a Terra, com as nossas origens, com quem somos. Não podemos criar a ilusão de que isto vai resolver tudo, de que vai impedir que os desafios cheguem até nós, de que assim não teremos qualquer dificuldade. Essa é a “banha da cobra” que muitos processos nos tentam vender, mas que só servem, na verdade, para nos desligar ainda mais.

O que chega até nós é o que precisamos de viver, disso podemos sempre ter a certeza. No entanto, se estivermos conectados, se estivermos enraizados, se trabalharmos as nossas feridas e medos, se sairmos dos mecanismos de controlo e de sobrevivência, então o que nos é colocado no caminho é o que realmente é nosso, tão simplesmente porque estamos no nosso lugar certo. É esse posto de observação, esse centro a partir do qual nos ligamos e conectamos com a nossa própria vida, que nos permite distinguir o que é nosso do que não é, pois agimos em discernimento, em consciência, damos voz à nossa mente e ao nosso coração, mas, por estarmos enraizados, sabemos o que é para nós.

Sem estarmos ligados à nossa própria vida aqui na Terra, sem termos as nossas raízes bem sólidas, sem estarmos a construir a nossa vida sobre os nossos valores mais preciosos, respeitando-os e respeitando-nos, não podemos estar ligados ao divino. Na verdade, quanto mais forte é a nossa ligação à vida aqui na Terra, quanto mais aceitamos, de coração e sorriso aberto, que estamos no lugar e no tempo certos, mais extraordinária e elevada é a nossa conexão com tudo o que existe para lá de nós mesmos, com aquilo que é o nosso propósito superior, com o nosso verdadeiro Eu, aquele que manifesta a nossa Centelha Divina. Não é o contrário, como muitas vezes se pensa, que nos eleva ou nos permite evoluir, pois foi na Terra que escolhemos fazer este percurso e é sobre os seus preceitos, todos eles, que precisamos de viver.

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