Skip to main content Scroll Top
Avenida Miguel Bombarda, 21 - 7º Dto - 1050-161 Lisboa

Assumir o nosso Lugar

20260202assumironossolugar

Os tempos mais importantes nem sempre são aqueles que maiores desafios e dificuldades nos trazem. Por vezes, nem sequer são aqueles que nos oferecem e nos colocam mais obstáculos e provações. Esses são, sem dúvida, relevantes e preciosos, ainda que dolorosos e com muitos processos que nos trazem mudanças, transformações e aprendizagens.

Às vezes é preciso caminhar num trilho duma noite profunda da Alma, quer ela seja a individual ou a colectiva, e, de certa forma, este tempo que vivemos tem profundos momentos em que a escuridão parece tomar conta de tudo o que nos rodeia. Contudo, se estivermos atentos, essa sombra, essa escuridão, movimenta-se à luz do dia, rodeia-nos e tenta consumir-nos em todos os momentos, e isso leva a que estes tempos nos peçam algo diferente.

É fácil compararmos este tempo com o que se viveu há quase um século, nos anos 30 do século passado, um tempo de grande peso e dificuldade, marcado por uma crise económica e financeira profunda, com o crescimento de posições nacionalistas, autoritárias e repressivas. Hoje vemos algo muito (por vezes assustadoramente) semelhante, com as extremas direitas por todo o mundo a crescerem, com o fosso entre ricos e pobres a crescer de relatório em relatório. Contudo, este tempo, por diversas razões, é diferente, ainda que a base dos problemas seja muito semelhante.

O ser humano, como já o referi diversas vezes, tem uma relação muito complexa com a dor e o sofrimento. Fazemos tudo para não os sentir nem viver. Perante a mera possibilidade, criamos mecanismos de fuga e de protecção mentais. Nesse limite em que os nossos processos de sobrevivência são activados, esquecemos o básico, a nossa história colectiva, a dos nossos pais ou avós, e procuramos essa ideia de salvador, de messias.

Em algumas sociedades, como a nossa, portuguesa, essa necessidade dum orientador, dum pai, dum salvador, é uma parte (que urge em ser trabalhada) da nossa identidade, que nos levou por quase 50 anos dum regime autoritário e repressivo. Contudo, essa necessidade mascara uma preguiça, uma desresponsabilização, uma tentativa de desligamento da realidade, como vemos em vítimas de abuso ou violência, que só pode ser trabalhada com educação, com processos de consciência individuais e colectivos, com um caminho no sentido de curar feridas profundas que ultrapassam, muitas vezes, processos das nossas vidas.

Podemos deambular nesta ideia por inúmeros parágrafos, palavras, livros e palestras, procurar razões e explicações, explorar as raízes e os fundamentos, mas tal não iria orientar a nossa consciência para aquele que é o verdadeiro ponto que torna este tempo diferente de outros momentos. Se é verdade que muitos preferem entregar a sua liberdade e a sua escolha a uma figura paternalista, que normalmente se associa a um comportamento (também ele paternalista) religioso, como ungido por um qualquer deus, defensor de supostos valores “cristãos”, também é verdade que, ao contrário de outros tempos, há um maior nível de informação, até mesmo uma maior consciência que vai resistindo ao sucumbir dessa escuridão.

(…) se cada um assumir a sua posição e for responsável pelo poder que tem nas suas mãos, apesar das diferenças, começamos a encontrar um chão comum, soluções e caminhos, sem ficarmos sempre à espera de que algo ou alguém nos venha salvar.

Uma das questões que fui referindo nas últimas palestras que dei, não só acerca de 2025, mas também acerca de 2026, foi a de que, embora existam muitas semelhanças a nível energéticos nos céus entre esse tempo durante as décadas de 30 e 40 do século passado, também encontramos diferenças verdadeiramente substanciais. Se Saturno e Úrano, mais ou menos, passavam pelos mesmos signos em que passam nestes tempos, Neptuno e Plutão estavam nos signos opostos, conferindo a este momento uma diferença substancial. Para além disso, como explorei na palestra 2026: Uma Ponte no Abismo e como terei oportunidade de aprofundar em breve, estamos a viver um tempo único, com a conjunção entre Saturno e Neptuno aos 0º de Carneiro, algo que tem um simbolismo muito importante e que nos molda num caminho duma nova construção de quem somos e da nossa realidade.

Desde o final de 2020, com a conjunção entre Júpiter e Saturno em Aquário a formalmente abrir um grande ciclo de trabalho da humanidade no elemento Ar (que só será totalmente fechado em 2199), o grande tema de trabalho é o potenciar da nossa dimensão mental, a nível individual e colectivo. O grande propósito, no meu entender, é o de elevar o ser humano para uma condição de compreensão de si mesmo como parte dum colectivo, de compreender o que nos liga, o que nos conecta e como podemos evoluir. Para isso, é preciso deitar abaixo as velhas estruturas, os velhos poderes que nos prendem a uma dimensão pesada e pouco divina do que é a matéria. Para isso, é preciso que os velhos demónios, monstros, feridas e dores se mostrem e se revelem, e é isso que, no fundo, estamos a ver acontecer à nossa frente.

Os tempos mais importantes nem sempre são aqueles que nos trazem grandes desafios ou processos. Por vezes, na verdade, os tempos mais importantes são aqueles que nos pedem o assumir duma postura, duma atitude, da nossa Voz. Esta é, a meu ver, a grande questão que nos é colocada hoje, perante tudo o que estamos a ver e a viver, e é aqui que as diferenças energéticas, de consciência e de realidade, se mostram. Por isso, também, acredito que este tempo já não nos permite zonas cinzentas, posições opacas ou tolerâncias sobre questões que nos retiram do mais básico do que é ser humano. Isto não significa, bem pelo contrário, que não tenhamos ideias, ideologias, pensamentos ou posturas diferentes. É dessa diferença, algo muito aquariano, até, que se pode construir um mundo mais belo, mais justo, mais harmonioso e fraterno.

Contudo, existem conceitos que são como lobos em pele de cordeiro, que elevam uma bandeira onde supostamente a liberdade é o propósito, mas cujo estandarte é o medo, o ódio, a divisão e a ideia dum inimigo que é preciso destruir. Este é um terreno onde nada de bom cresce ou desenvolve, onde nada se manifesta que seja produtivo, que esteja em sintonia com o que é ser humano. Por isso, este tempo pede a cada um de nós que se mostre na sua essência, nas suas ideias, na sua verdade, através das suas palavras e atitudes, que assuma o seu lugar, a sua posição, a sua voz.

A cada um de nós é pedido para se colocar no seu lugar certo, para defender o que acredita, para tomar uma posição perante o que vê à sua volta e, assim, assumir o seu lugar no mundo a que pertence. Isto não significa que todos temos, individualmente, de fazer grandes coisas, de tomar grandes atitudes ou construir grandes empreitadas. Pelo contrário, isto apenas significa que se cada um assumir a sua posição e for responsável pelo poder que tem nas suas mãos, apesar das diferenças, começamos a encontrar um chão comum, soluções e caminhos, sem ficarmos sempre à espera de que algo ou alguém nos venha salvar.

Quando resgatamos a força da coragem de sermos nós mesmos, ainda que não sejamos perfeitos nem sequer lá estejamos perto, que ainda estejamos a curar feridas, a trabalhar sobre nós, criamos pontos de sintonia e de harmonia centrados na alma, no coração, baseados em amor, compaixão, empatia e comunicação. É dessa coragem e desse lugar que podemos assumir os nossos valores e crenças, que nunca pisarão ninguém, que nunca serão muro, que sempre serão pontes, colo, albergue e casa. É desse ponto de profunda Luz que existe em cada um de nós que o caos se torna serenidade e em que dela a criação se manifesta.

É esta questão que faz deste tempo profundamente importante e crucial, pois muitos levantam as vozes em gritos, berros, caos e confusão, com o intuito de dividir, de hostilizar, como os bullies da escola, ainda que isso seja apenas uma forma de mascarar medos, feridas e dores profundas. Contudo, o maior mal não é feito por esses que berram e gritam, mas sim pelos que se calam, pelos que permitem, pelos que compactuam, pelos que não se mostram, não se comprometem nem se manifestam, e isto não significa, mais uma vez, tomar grandes atitudes ou fazer grandes coisas. Tal significa apenas que cada um de nós tem uma voz e, se todos a usarmos em sintonia, em conexão, em amor, paz, esperança, humanidade, fraternidade e serenidade, as diferenças tornam-se harmonias e essa vibração anula, apaga e purifica, ainda que possa levar algum tempo, esse vírus resistente que é o ódio, a maldade e a divisão.

Posts Relacionados

Deixa um comentário

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.

Privacy Preferences
When you visit our website, it may store information through your browser from specific services, usually in form of cookies. Here you can change your privacy preferences. Please note that blocking some types of cookies may impact your experience on our website and the services we offer.