Quando olhamos os vários conhecimentos religiosos, mitológicos e filosóficos que o ser humano desenvolveu e conceptualizou, invariavelmente encontramos um ponto genericamente comum, o da importância da mente, da palavra e do pensamento nas etapas da criação e do funcionamento do mundo. O Génesis no Antigo Testamento fala-nos dum Deus que usa a palavra para criar o mundo, enquanto no Novo Testamento, o Apóstolo João, no versículo que abre o seu evangelho, diz “No princípio era o Verbo”, indicando Jesus, o Mestre Cristo como esse Verbo, a Palavra viva.
No Alcorão, o Livro é revelado a Maomé como a palavra de Deus e a própria palavra Alcorão significa “a recitação” ou “a leitura”. No Budismo, Siddhartha Gautama define que “Tudo o que somos é resultado do que pensamos.” Os gregos e os romanos olhavam o mundo através do mito, desenvolvendo através dele, das suas ideias e palavras, toda a criação. Na mitologia nórdica encontramos Odin que, no seu sacrifício, dependurado em Yggdrasil, descobre o mistério das Runas, o alfabeto nórdico. Se observarmos outras religiões, vamos encontrar caminhos semelhantes, todos orientados para a palavra, para a linguagem e para a mente, uma das características que mais nos define como seres humanos.
A mente é o que mais nos aproxima do divino e a palavra, assim como a voz, são a sua primeira manifestação. Se o Espírito existe na Terra através de Carneiro e se materializa no corpo físico através de Touro, é através da mente que Gémeos representa que ele se manifesta. Por isso, o terceiro signo do Zodíaco traz-nos a dimensão do nosso corpo mental, aquele que precisa de se formar e de ganhar dimensão antes de podermos vivenciar a subtileza dos sentimentos.
A mente é o que verdadeiramente nos liga ao divino e a parcela do nosso ser que tudo cria, que tudo arquitecta e constrói antes de ganhar dimensão na matéria, antes de verdadeiramente Ser. Por isso, depois da activação de Fogo e de Terra, o terceiro elemento que é activado no Zodíaco é o Ar, mas, aqui, no seu modo mutável, pois antes de encontrarmos o ponto de Solstício é necessário adaptarmo-nos e ajustarmo-nos, atravessarmos a ponte entre estações do ano e darmos forma ao propósito da Primavera, a fecundação.
O caminho do Zodíaco é também o percurso das estações do ano, do ciclo da criação, divididas e dimensionadas através dos pontos de Equinócio e de Solstício. Depois dum momento de arranque e de outro de sustentação, chega o momento de cumprir o propósito e preparar a transição para uma nova estação, para uma nova etapa. Por isso, o final da Primavera, que Gémeos representa, é um tempo de inconstância, de mutabilidade, em que, no mesmo dia, faz sol, chuva e vento, temos um céu limpo que, logo de seguida, dá lugar a nuvens carregadas, um início de dia frio, gelado e que nos obriga a usar um casaco que, a meio do dia é insuportável devido ao calor, mas volta a ser absolutamente necessário à noite.
É esta inconstância e instabilidade que conhecemos bem no signo de Gémeos e que tanta má fama dá a este que é um dos signos mais mal compreendidos, mais estereotipados e subvalorizados. Contudo, não nos podemos deixar levar por estas ideias que apenas reflectem um desconhecimento da enorme dimensão deste signo, tão essencial como qualquer um dos outros, mas que nos traz algo que nem sempre é simples de gerir e de vivenciar, a nossa mente.
Gémeos é o terceiro signo do Zodíaco, a primeira activação do elemento ar e do modo mutável. Ele representa a fase final da Primavera, quando toda a força da vida que foi gerada em Touro se prepara para o percurso e caminho de fecundação. Por isso, é neste tempo que os ventos e os insectos transportam os pólenes que fecundarão as flores e darão origem aos frutos que serão alimento e semente, que os animais acasalam, que retornam das suas migrações, mas também o momento em que saímos totalmente do fecho que o Inverno nos impôs, comunicamos mais, movimentamo-nos mais.
É neste signo que a mente se expande ao receber os estímulos do mundo que a rodeia, como a flor que se torna fruto através da polinização. Gémeos representa a mente que aprende e absorve, que imagina, que é curiosa, que necessita da descoberta, que comunica, que dá e recebe ideias e palavras. Este é o signo da criança que está a aprender a falar, que é uma esponja do mundo que a rodeia, cuja curiosidade a leva a desmontar o brinquedo apenas para perceber como ele funciona por dentro e que depois já não tem nele qualquer interesse. Ele é a mente no seu estado mais terreno e simples, capaz de aprender, de descobrir, de imaginar.
Gémeos é a manifestação terrena da ligação entre o divino e o terreno, entre a mente e o corpo, como o seu símbolo, representativo desta dualidade que se interliga para a criação de algo maior.
Uma das capacidades e características mais bela que temos enquanto crianças, que vamos modelando e, muitas vezes, perdendo, ao longo da vida, é a imaginação. Imaginar é criar na nossa mente, algo que só é possível quando a ela temos ligada a curiosidade e a irreverência que apenas as crianças têm. Gémeos é essa extraordinária capacidade de buscar algo, de descobrir, de imaginar e mergulhar nesse mundo criado dentro da nossa mente, que nos poderá levar, se assim quisermos, a criar as coisas mais fantásticas, mas também as mais loucas.

Em Gémeos viajamos pelos meandros da mente que observa e regista, que busca informação e dela bebe como duma fonte. Este é um signo que está ligado a esse tempo de criança, onde o compromisso, o desenvolvimento e a profundidade não são relevantes nem importantes, onde a única coisa que importa é conseguir mais, fazer mais, imaginar mais, expandir a mente e levá-la até ao limite. Gémeos tem, por isso, a capacidade de olhar para o mesmo objecto e vê-lo de inúmeras formas, de incontáveis prismas, em vários momentos diferentes.
Muitas vezes estereotipamos Gémeos através das alterações de humor, a ideia de duas faces, mas tal não podia ser mais enganador. A essência de Gémeos é da multiplicidade, da necessidade de abrirmos a nossa mente para as infinitas possibilidades, e isso tanto pode ser profundamente criador, como caótico. Gémeos é a manifestação terrena da ligação entre o divino e o terreno, entre a mente e o corpo, como o seu símbolo, representativo desta dualidade que se interliga para a criação de algo maior.
O glifo de Gémeos representa o número 2 em numeração romana, duas colunas que se colocam lado a lado e trazem-nos a ideia duma dualidade que se liga. Esta imagem de duas colunas é conhecida em muitas simbologias, desde logo a dos templos de sabedoria, nomeadamente o Templo de Salomão, manifestada em, por exemplo, na carta II – A Papisa, do Tarot. As colunas, a dualidade, são representativas de duas dimensões que se interligam para a criação. Deus, no princípio de tudo, cria o Homem à sua imagem e semelhança, contendo em si o masculino e feminino. Contudo, Adão, vendo todos os animais com um par, sentiu-se sozinho e pediu a Deus para lhe criar uma companheira. O resto da história conhecemos, mas é essa dualidade criadora que encontramos na carta VI – Os Enamorados do Tarot, a carta que está ligado à energia de Gémeos. No entanto, essas duas colunas são também representativas de outra ligação, a da mitologia mais directa associada a este signo, a de Castor e Pólux.
O mito conta-nos que Leda viu um cisne branco a fugir duma águia. O cisne conseguiu fugir e refugiou-se no colo de Leda, que o acolheu, acalmando-o. No seu colo, o cisne, que era Zeus transformado em animal, seduziu Leda. Voltando à sua forma de deus, Zeus disse a Leda que, passado o tempo da gestação, ela iria dar-lhe dois filhos, um destinado a ser herói e o outro destinado a ser a ruína dos heróis.
Disse-lhe também que o seu marido, Tíndaro, se deitaria com ela nesse dia, e desse encontro, ao mesmo tempo, nasceriam mais duas crianças, uma também destinada a ser um herói e a outra destinada a ser a desgraça dos heróis. Passado o tempo da gestação, Leda deu à luz, não crianças, mas dois ovos. De um dos ovos surgiram Clitemnestra e Castor, filhos de Tíndaro. Do outro ovo nasceram Helena (a conhecida Helena de Tróia) e Pólux, filhos de Zeus.

Castor e Pólux foram sempre muito próximos e excepcionais na luta e com os cavalos, com uma amizade muito terna e corajosos. Ainda que não fossem irmãos gémeos, eles eram conhecidos como os Dióscuros, filhos de Zeus. Juntos empreenderam várias batalhas e conquistas, tornando-se reconhecidos como heróis por toda a Grécia. Salvaram também a sua irmã, Helena, do rapto de Teseu e uniram-se aos Argonautas, onde foram camaradas de Idas e Linceu, também eles gémeos e seus primos.
Contudo, a fonte mais profunda do mito está ligada à sua morte, existindo duas versões, uma ligada a mulheres e a outra a uma disputa de gado. No conflito, Idas mata Castor e Pólux mata Linceu. Zeus lança então um raio contra Idas, matando-o e leva Pólux para o Olimpo. Contudo, Pólux está inconsolável com a morte do seu irmão e recusa-se a entrar no Olimpo sem Castor, pedindo a Zeus que também o matasse para pode ficar perto dele.
Levado pela enorme amizade e amor fraterno entre ambos, Zeus concedeu que dividissem a imortalidade entre eles, passando um dia no Hades e outro nos céus. Para os honrar, colocou uma constelação nos céus, a constelação de Gémeos, onde os irmãos são representados com os braços no ombro um do outro. Castor e Pólux tornam-se assim as estrelas alfa e beta da constelação, que se encontram lado a lado e são os pontos que mais facilmente a identificam nos céus. Os gémeos (que não o sendo directamente) tornam-se o símbolo duma dualidade, o dia e a noite, o imortal e o mortal, algo que encontramos presente em várias mitologias, ainda que não ligadas ao signo de Gémeos.
Uma das questões mais simbólicas que o mito de Gémeos nos apresenta é que Castor e Pólux nascem de dois ovos. O ovo é um símbolo místico da vida, presente em muitos mitos e ideias, representando o universo e a fonte e origem primordial da criação, e os dois gémeos são, por isso, a dualidade da criação, o imortal e o mortal, a vida e a morte, unidas em todo o ciclo. Ao mesmo tempo, podemos compreender que a primeira lei da Hermética, a Lei do Mentalismo, diz-nos: “O Todo é Mente; o Universo é Mental.” Gémeos traz-nos a primeira manifestação desse princípio, mostrando-nos que é na mente que tudo se constrói, que é ela quem determina a vida consciente e constrói ou destrói, que é na mente, desde o princípio da vida, que todo o nosso caminho é definido. Por isso, Gémeos é mais do que aquele signo ligado à mente, à comunicação e à imaginação, é mais do que a dualidade e as inúmeras perspectivas. Ele é a representação do princípio criador da vida imaginada, aquela que rompeu em Carneiro, que ganha base e sustento em Touro, mas que só se forma nas ideias, conceitos, linguagem e aprendizagem que nos são transmitidos e que absorvemos desde o início das nossas vidas, que serão os alicerces mentais da nossa construção.

Quando somos crianças, o mundo à nossa volta constitui uma imensidade de estímulos e torna-se uma total e constante descoberta. A criança absorve tudo, recolhe todas as informações que lhe chegam, pois a sua mente tem ainda uma plasticidade e uma disponibilidade extraordinárias e gigantescas. À medida que crescemos, essa plasticidade vai diminuindo e a nossa mente passa a estar muito mais ocupada com questões que, aparentemente, são mais importantes do que observar o vazio ou um insecto que se passeia por uma flor. Por isso, também, é mais fácil recordarmo-nos dum jingle dum anúncio que víamos na televisão quando éramos muito pequenos do que nos lembrarmos do que almoçámos num dia específico da semana que passou.
Gémeos é o signo que nos remete à infância da descoberta, da aprendizagem, da mente que recolhe informação constantemente e que, através dela, começa a formar o seu próprio mundo. Os domínios da mente, do pensamento, da linguagem e da comunicação são a base de Gémeos, que neles se move de forma constante e, por vezes, muito acelerada, construindo as bases de tudo o que iremos ser no nosso percurso. É na infância, nesse tempo tão peculiar, que muitas das nossas questões, potenciais e traumas, bloqueios e capacidades, são desenvolvidos, pois estamos a trabalhar os domínios de Mercúrio através duma vibração que se manifesta, primordialmente, em Gémeos, a da recolha e registo de informação.
Mercúrio rege Gémeos numa condição diurna, mais extrovertida e expandida. Ele é o primeiro planeta do sistema solar, representando, por isso, a primeira expressão do Espírito no nosso plano. Depois de existirmos, a manifestação de Carneiro, de sermos nutridos e de fazermos movimentos básicos do corpo, compreendendo o mundo através dos sentidos, a manifestação de Touro, é a nossa mente que vai registar e processar o que nos rodeia, ao mesmo tempo que ganhamos capacidades que provêm do nosso cérebro, como a mobilidade e a fala. Do “nada”, há uma língua que está intrínseca em nós que se começa a desenvolver na nossa mente, que nos permite compreender o mundo que nos rodeia, e tudo se cria através das palavras que nos dizem, que ouvimos, que registamos e recolhemos, muitas vezes sem entender, mas cujos sons ressoam em nós e expandem o nosso cérebro para um lugar ainda desconhecido.
A palavra é criadora e é ela, em nós, que manifesta o mundo, que o forma e o sustenta. É a palavra que nos permite comunicar, aprender e desenvolver, e é através dela que vamos caminhar no sentido de sair duma simples existência e atravessar o caminho em direcção à nossa essência, a Ser, à manifestação da nossa identidade. Temos um nome, uma filiação, um tom de voz, de escrita e de pensamento únicos, uma verdadeira impressão digital que se manifesta pela palavra, pois ela é o fundamento de toda a magia da nossa existência. O mundo que conhecemos é desenvolvido por palavras que identificam cada coisa, que se formam na nossa mente e se associam ao plano terreno, construindo a nossa realidade.
É na nossa mente que toda a vida se manifesta e é através dela que se vocaliza em algo concreto. O que pensamos define-nos, constrói a forma como agimos e actuamos sobre todas as coisas.
É curioso perceber que a etimologia da palavra “palavra” leva-nos para algo profundamente geminiano, a ideia da parábola, tão usada pelo Mestre Jesus para passar a sua mensagem, que servia para explicar a quem não tinha capacidade de compreensão e entendimento. A palavra é poderosa, rica e mágica, transformadora e criadora, mas também pode ser o seu inverso, destrutiva, bloqueadora, sabotadora. É através da palavra e de todas as suas manifestações que o nosso mundo é criado, que a nossa mente imagina e manifesta, que todas as evoluções tecnológicas e científicas que já conhecemos neste plano se desenvolveram. O mito primordial da criação que nos formou mostra-nos isso, pois encontramos um Deus que diz, ordena e comanda através da palavra para que tudo se crie.
O caminho de Gémeos é, por isso, o caminho da Palavra, não no sentido das letras que formam os vocábulos e das frases que através delas construímos, mas sim da manifestação plena da criação que a palavra que representa. É através da palavra que Gémeos se torna Voz, expressão do Espírito vivo, manifestação da imaginação que se encaminha para se tornar Luz no mundo. A palavra criadora que Gémeos representa é o Verbo que João nos fala no seu Evangelho, pois ela não é estanque nem estática. Gémeos é um signo de polaridade masculina, ágil, volátil, adaptável, curioso e inquieto, inconstante e, muitas vezes imprevisível, reflexo da sua natureza inquisitória, que o coloca em movimento e acção, neste caso, mental.
A criação de Gémeos, fruto do caminho que nele percorremos, não se passa na matéria, não se trata de algo concreto ou definido, mas sim algo que é imaginado, pensado, construído através de palavras, de pensamentos, de curiosidade. É na nossa mente que toda a vida se manifesta e é através dela que se vocaliza em algo concreto. O que pensamos define-nos, constrói a forma como agimos e actuamos sobre todas as coisas. O que ficou guardado na nossa mente deste a infância reflecte-se na forma como vivemos, nos nossos bloqueios, nas nossas capacidades, na maneira como olhamos o mundo e como nele nos fazemos ouvir.
Gémeos é o primeiro signo do Zodíaco onde encontramos de forma muito clara a dualidade, onde ela é vista, assumida e vivida. Por isso, Gémeos pode ser criativo, expansivo, comunicativo e extrovertido, focado e direccionado, mas, ao mesmo tempo, fechado, disperso, evasivo, escapista e incongruente, o que contribui para muito do estereótipo que nele conhecemos. No entanto, quando mergulhamos na sua essência, percebemos que o grande desafio, mas também a grande beleza que Gémeos compreende é a de unir cabeça e essência, mente e coração, orientando o pensamento e a comunicação, assumindo a sua voz, através do corpo emocional. Contudo, isso pede a Gémeos que se liberte do medo de crescer, de perder a sua ingenuidade, pureza e simplicidade de “criança” ao tornar-se “adulto”. Se assim não o fizer, acaba por ficar preso num síndrome de Peter Pan, não compreendendo que a verdadeira magia está, na verdade, em transportar a imaginação e a curiosidade para uma estrutura mais forte e poderosa que lhe permite abraçar e manifestar a sua verdadeira voz.
Gémeos tem sido um dos signos mais importantes e significativos dos tempos que vivemos, ainda que disso não tenhamos uma total percepção. Olhemos simplesmente o mundo em que vivemos, um mundo profundamente geminiano, onde a informação circula de forma imediata e avassaladora. Este é um mundo onde o elemento Ar se tornou dominante, mas onde a informação tem um lugar mais importante e fundamental do que o conhecimento, nomeadamente nestes tempos onde somos bombardeados por um algoritmo que nos mostra apenas aquilo pelo qual nos interessamos, que não nos coloca num lugar de pensamento crítico, mas sim num de absorção que nos está a tornar verdadeiramente apáticos, dispersos e amorfos.
Contudo, os ares (neste caso) estão a mexer-se, até porque um dos movimentos mais importantes dos últimos tempos foi, precisamente, no signo de Gémeos, com o ingresso definitivo de Úrano neste signo após sete anos em Touro. Isso leva a que, com a entrada do Sol no signo de Gémeos, Úrano seja logo activado de forma muito especial, ainda que não seja o único. O ingresso do Sol no Signo de Gémeos dá-se no dia 21 de Maio, às 01:56 (hora de Lisboa, UT-1), com Úrano e Mercúrio também neste signo, conferindo ao planeta da comunicação um enorme poder sobre este período solar.

Um dos momentos importantes deste percurso do Sol por Gémeos dá-se no dia seguinte, dia 22, quando o Sol se une com Úrano, colocando-o em cazimi durante todo o dia. Esta condição especial intensifica o poder de Úrano, conferindo ao planeta do caos, do despertar, da independência, irreverência e originalidade uma força superior e uma projecção que promete aquecer os ânimos.
Também é no período em que o Sol está em Gémeos que uma das configurações mais importantes deste ano (e destes tempos) se começa a reforçar, com a chegada de Úrano ao grau 3º de Gémeos e Plutão, retrógrado, quase a sair do grau 5º de Aquário, reforçando um trígono que faz com que a sua energia flua e impulsione grandes transformações e mudanças nos nossos paradigmas mentais e intelectuais. É preciso percebermos que, em primeiro lugar, este trígono irá estar em ligação até 2030. Contudo, esta é apenas uma parte do processo, que irei explorar daqui a alguns meses, pois tudo se encaminha para estes dois gigantes fazerem sextil com Neptuno, em Carneiro, no grau 4º dos respectivos signos, trazendo-nos, aí sim, um dos momentos mais relevantes deste tempo, ao qual se juntará Júpiter também.
Este é um tempo de mudanças, e só quem estiver completamente alheado ou a viver noutro planeta é que não o consegue ver, de profunda e radical transformação do funcionamento da nossa sociedade, onde a razão que tem como foco a nossa elevação enquanto seres humanos tornou-se um vazio de imediatismo, em que a ilusão de ligação nos tem remetido para uma solidão emocional e espiritual muito profunda. Por isso, compreender e honrar Gémeos torna-se essencial para não nos tornarmos “homens máquina, com mentes e coração de máquina”, como dizia Adenoid Hynkel, personagem representado por Charlie Chaplin (nascido em tempos de conjunção entre Neptuno e Plutão em Gémeos), no discurso final do seu filme de 1940, “O Grande Ditador”, um texto escrito há quase 90 anos, mas que é mais actual do que nunca. É nessa compreensão, a do caminho da palavra no sentido criador da imaginação, da inocência, que não distingue nem discrimina, que nos tornamos mais humanos e voltamos ao estágio essencial que o Mestre Jesus nos indicou para entrarmos no Reino dos Céus: sermos Crianças.
Referências Bibliográficas:
JOHNSTON, Sarah Iles. Deuses e Mortais, As Grandes Histórias da Mitologia Grega. Alma dos Livros, 2025
Nota Final:
Há alguns anos lancei um projecto de Workshops chamado “Os 12 Caminhos”, onde, a cada mês, falei sobre o signo desse período, trabalhando as suas ideias e os seus propósitos. Foi sob a égide dessa ideia que agora lanço este projecto de 12 artigos, de Março de 2026 a Fevereiro de 2027, um por cada signo, onde exploro um pouco do seu propósito, mas onde integro a vivência da sua energia no tempo que vivemos. Estes são tempos de tomadas de consciência, de novos caminhos que se abrem e de novas posturas que nos são solicitadas. Por isso, ao longo dos próximos 12 meses, vamos dar passos pelos caminhos de cada signo na descoberta da sua dimensão mais sublime e do seu propósito, enquadrado no desafio que este tempo nos apresenta. Pode encontrar aqui todos os publicados.
















