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Desafio de Esperança

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Todos os dias, mal acordamos, batemos de frente com a realidade do mundo em que vivemos. A cada momento, novas notícias de conflitos, de problemas, de retrocessos, chegam até nós através dos jornais, das notícias, das redes sociais. Coisas que pensávamos impossíveis de estarem a ser faladas ou debatidas neste tempo, após tantas conquistas, parecem voltar à ribalta pelas piores razões, fazendo-nos questionar sobre o nível de insanidade daqueles que nos deviam fazer desenvolver e crescer.

Estes são tempos em que o nível de informação constante, acelerado e imediato não nos dão espaço para compreender, sentir e digerir todas as coisas que se passam à nossa volta. O pensamento crítico, razoável, equilibrado e consciente deu lugar à reacção, à ansiedade, ao conflito e à divisão. Praticamente tudo o que, a cada dia, olhamos à nossa volta, parece levar-nos para um mundo mais sombrio, para um caminho tenebroso de destruição, de falta de amor, empatia e dor. Isso assusta, desgasta e desmotiva todos aqueles que têm feito caminhos de autoconhecimento, de trabalho interior, todos aqueles que se preocupam com o seu semelhante e buscam a felicidade – não só a sua, como a de todos.

Perante tudo o que vemos à nossa volta, que vamos vivendo e experienciando, perante os fossos e desequilíbrios que vão ficando mais e mais evidentes e pronunciados, é difícil manter o foco, manter a fé e, acima de tudo, manter a esperança de que tudo ganhar um novo rumo e ser diferente. Mesmo para aqueles que são optimistas por natureza, que acreditam no melhor do ser humano, estes tempos não são fáceis, bem pelo contrário. Contudo, cada tempo tem os seus desafios e um dos que se manifesta neste momento é, precisamente, o de manter a esperança, alimentá-la e fazê-la florir e dar frutos.

A esperança não é uma solução, é um processo que fazemos em ligação, em sintonia com outros que partilham da mesma vontade que nós.

Existem forças poderosas que dominam o mundo, mas existem outras, subtis, que o movem – e só o Tempo, o grande Mestre, por muito que não queiramos, nos ensina a distingui-las. É verdade, e vemo-lo todos os dias, que a força bruta, o poder, a ganância e o egoísmo, estão, neste momento, a reger as nossas vidas através das forças de poder instaladas, da grande maioria dos líderes a nível mundial. Contudo, essas são as forças que dominam, que dão ao mundo e à humanidade contornos obscuros, pesados e destrutivos, não são as que nos fazem mover e evoluir. O domínio implica controlo e raramente o controlo permite o crescimento, pois ele é estático, pesado e individual. As forças que, nos momentos certos e precisos, movem o mundo, são bem diferentes, são subtis, serenas e colectivas.

Se observarmos a história do mundo, vemos que, maior parte do tempo, ela é marcada pelo domínio de gente que procura poder, mas que, na verdade, só tem em si medos. O medo da morte, da insignificância, da irrelevância, leva a que haja seres que cometam atrocidades em nome de um qualquer deus, que escravizem e se aproveitem dos mais fracos e vulneráveis. No final de tudo, é apenas isso, um medo que os aprisiona e os controla. No entanto, sempre que a humanidade avançou, os passos que foram dados, que tiveram uma dose de risco, de loucura, de irreverência, foram sustentados por coisas que nos definem a todos enquanto humanos – o amor a algo maior do que nós mesmos, uma crença inabalável no que dentro do nosso coração existia e foi alimentado e, acima de tudo, uma esperança de que tudo sustenta e que ultrapassa os limites da nossa compreensão.

A esperança é, assim, como um pequenino broto, frágil e sereno, de folhas muito pequeninas e caule muito fininho, que necessita que o alimentemos, que o nutramos e dele cuidemos, para que se torne numa árvore frondosa, grande e sólida. Ao mesmo tempo, é nela que reside uma das forças mais subtis e poderosas deste universo, que o move, que o transforma e o define. Contudo, e esta é uma das grandes curiosidades que sempre encontramos quando olhamos para estas vibrações com a distância que o tempo nos oferece, ao contrário da força bruta, que exige comando único, autocentrado e motivado pelo ego, estas forças subtis, como a esperança, funcionam, são experienciadas e amplificadas por movimentos colectivos, pela união, pela conexão, pela vivência empática e amorosa.

Por isso, a esperança, como o amor, é um caminho lento e não dá resultados imediatos. A esperança não é uma solução, é um processo que fazemos em ligação, em sintonia com outros que partilham da mesma vontade que nós. É tudo isto que faz da esperança um dos grandes desafios destes tempos que vivemos, pois é mais fácil, como muitos fazem, baixar os braços, não nos preocuparmos, acharmos que os problemas à nossa volta nada têm a ver connosco, porque (ainda) não nos afectam, iludirmo-nos que é apenas uma fase ou um processo e que daqui a uns anos tudo passará (e passará, sem dúvida). A esperança é um bálsamo, um caminho de cura, e só quando a vivemos conscientemente é que ela se pode transformar nesse amor que tudo transforma, tudo eleva e tudo une.

Pintura - Pandora - John William Waterhouse - 1896
“Pandora”, John William Waterhouse, 1896, óleo sobre tela, Art Renewal Center

No entanto, a esperança, maior parte das vezes, só faz sentido de existir quando o medo, o desespero, a dor, o ódio, a mentira e a guerra, tomam conta de nós e nos envolvem. Quando Pandora abre a caixa e todos os males do mundo dela saem, apenas nela se mantém a esperança, para alguns o último dos males, mas, para outros, talvez para muitos, a grande força impulsionadora que tem a capacidade de tudo transformar. No Tarot, a carta XVII – A Estrela, representa a Esperança, coloca-se entre a Torre, que representa dor, ruptura e o rasgar dos véus do entendimento, e a Lua, que representa o medo e o nosso inconsciente. Contudo, é atravessando a profundidade do nosso ser, a noite que nos habita, que podemos retornar à nossa essência e libertar a vibração do Sol, a carta XIX.

A esperança é um dos grandes desafios que nos está a ser colocado neste tempo, pois ela representa aquilo que mais humano temos em nós. É vivendo-a, não isoladamente, mas em ligação, em união, em partilha, que, colectivamente, temos a capacidade de mover o mundo noutro caminho, diferente, mais humano, empático e fraterno. Por isso ela se torna um desafio, pois ela pede pontes num tempo onde tantos querem construir muros, pede serenidade quando tudo está em aceleração, pede igualdade quando os desequilíbrios se acentuam. Ela é uma vibração pura de Aquário, o signo em que Plutão está (e estará) a transitar durante largos anos, pedindo-nos transformação, purificação, resgate e despertar.

O desafio de esperança que este tempo nos coloca não é apenas parte de mais um processo difícil que o ser humano tem de passar aqui na Terra. Mais do que isso, ele é matéria-prima duma construção extraordinariamente importante, a de quem queremos ser enquanto seres nos próximos tempos, se o que pretendermos é estar alinhados com essa fagulha divina que nos habita, com essa parcela de Deus em nós, e, dessa forma, construirmos algo que, não sendo perfeito, é pensado para todos os que aqui vivem e partilham desta Terra, assim como para todos aqueles que nos seguirão. É isso que vemos quando observamos as energias que nos orientam, as forças que nos céus se movimentam e nos revelam mensagens profundas de mudança e transformação, que nos pedem que honremos a nossa humanidade, que nos elevemos enquanto seres e compreendamos que, aqui, neste plano, o caminho é feito em conjunto, em conexão, não isoladamente.

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