No dia 12 de Agosto de 2026 viveremos um dos mais extraordinários eventos astronómicos que existem e nós, na Península Ibérica (e não só), somos uns privilegiados por poder vê-lo na sua magnitude e beleza, o Eclipse Solar Total no Signo de Leão. Ainda que a totalidade do eclipse, em território português, só possa ser vista mesmo no Parque Natural do Montesinho, em Bragança, a verdade é que em todo o continente poderá ser visto em mais de 90%, o que será verdadeiramente fantástico, até porque não temos um evento desta natureza há mais de 100 anos.

Um eclipse solar total, para além da sua beleza e singularidade, é, do ponto de vista astrológico, um evento muito especial, forte e importante. Durante alguns minutos, a Lua, em perfeito alinhamento com o Sol e a Terra, cobre totalmente a luz, tornando o dia em noite. Simbolicamente, a Lua, o Inconsciente, atravessa e filtra o Sol, o Consciente, permitindo-nos observá-lo por outra perspectiva, por um outro olhar. No tempo da luz, a escuridão toma conta por momentos e permite-nos sentir, vislumbrar e intuir o que, normalmente não seria sequer visto. Veja-se, por exemplo, que a Teoria da Relatividade de Einstein foi confirmada, precisamente, com observações dum eclipse solar total, em 1919.
O Eclipse Solar total que viveremos dá-se no Signo de Leão, aos 20º01’, e estará conjunto ao Nodo Sul. Um eclipse solar é uma lua nova especial, forte e intensa, que projecta sobre o tempo que teremos pela frente um trabalho profundo que já se começa a ver e que ganhará mais forma nos próximos tempos. A sementeira que agora está disponível traz-nos a força do trabalho de Leão, o quinto signo do Zodíaco, a energia do Fogo no seu elemento fixo, e projecta-a numa vibração de transformação e consciência.
Este é o primeiro ponto relevante do eclipse, o facto de se dar no Signo em que o Sol tem regência, o que lhe dá força, impulso e intensidade. Para além disso, este é o primeiro eclipse após a mudança de eixo dos nodos lunares, precisamente para Aquário-Leão, o que representa uma nova vibração que está a ser trabalhada e que encontra neste eclipse um arranque. Este é o eixo da Identidade e da Individualidade, o ponto de trabalho de equilíbrio entre a consciência do Eu e o meu lugar individual no todo a que pertenço e que me rodeia. É nele que somos dirigidos para a nossa Essência, para o lugar profundo do nosso Coração, mas com o sentido de o projectar como um farol, uma luz que serve para iluminar os outros, o mundo, para levar esse brilho como um arauto, uma mensagem de coragem e esperança.

Em Leão, o tema é o Ego e o Eu, a expressão de quem somos, a coragem de sermos nós mesmos, de compreendermos ao quê e a quem damos o nosso brilho. Este é um momento importante para entendermos se estamos a ser a expressão do nosso Eu ou se estamos apenas a reflectir o que outros projectam sobre nós. Em ligação com o Nodo Sul, o segundo ponto-chave deste eclipse, agora é tempo dos egos se esbaterem e se quebrarem, pois não há mais espaço para crescimento quando tudo se desenrola no individualismo, na autopromoção, num brilho exacerbado e falso. Leão é genuíno, é sincero, é generoso, e é esse trabalho que precisamos de promover se quisermos crescer. Nunca crescemos sozinhos, individualmente e autossuficientes, somos seres sociais, comunitários, independentes, sim, mas interdependentes, o princípio de Aquário, onde o Nodo Norte está activado.
Consoante a área das nossas vidas que este eclipse activa, este é, de forma muito simples, o trabalho que nos é proposto. Este é um tempo de fins e de inícios, de libertação de posturas, propósitos e formas de ser que não se alinham com o nosso Eu e o nosso Espírito. Este é um tempo de cair de máscaras, de largarmos ídolos e de sermos responsáveis por quem somos e pelos nossos caminhos. Este é um tempo de integrar o que nos foi mostrado entre 2017 e 2019, quando tivemos eclipses solares em Leão, mas conjuntos ao nodo norte, impulsionando um trabalho que estamos agora a experienciar e que precisamos de corrigir e reintegrar.
Veja-se no culto da personalidade, no individualismo que desde essa altura tem sido um ponto que nos tem definido socialmente, nos nacionalismos que se têm fomentado e amplificado desde esse período, muito alimentados por medos que nos têm sido incutidos. Contudo, começamos a ver um movimento diferente e diverso, uma consciência que se começa a abrir e revelar.
Por isso, e ainda que não seja imediato, com o Pequeno Trígono entre os planetas transpessoais e o Cesto de Barbault que foi activado no mês passado, este é o tempo em que é preciso assumirmos o nosso Eu, o tempo de sermos criadores da nossa própria identidade, sem medos ridículos de supostas substituições, de perdas de alguma espécie. Este é o tempo que a única coisa que precisamos de combater são as forças que nos impedem de sermos nós mesmos, que nos condicionam na nossa luz, que nos castram na nossa essência e nos impelem para a escuridão.

O potencial e o trabalho que este eclipse nos apresenta é profundo e revela-se pela história que os céus nos mostram. No momento do eclipse, para além de Plutão, aos 3º de Aquário, Neptuno, aos 4º de Carneiro, e Úrano, aos 5º de Aquário, temos também Mercúrio, aos 5º de Leão, e Vénus, aos 5º de Balança, que, juntos, formam uma configuração que chamamos de envelope, que é também a união de dois papagaios, outra configuração de aspectos, um potencial aberto e disponível para podermos trabalhar, cujo ponto de foco é Úrano, apelando-nos à manifestação da nossa individualidade, da diferença como um caminho, a necessidade de voltarmos à nossa mente lógica, à comunicação, à voz como uma expressão do nosso Ser.
Este eclipse é um convite ao retorno ao que faz de cada um de nós um ser único, à nossa essência. Contudo, com Saturno a fazer trígono ao ponto do eclipse, esse caminho implica responsabilidade, compromisso e seriedade, pois embora o trabalho seja individual, o processo pede-nos consciência colectiva. Há um caminho interior que nos está a ser pedido, de abrir os caminhos do coração, retornarmos à coragem de sermos uma luz na escuridão e de compreendermos que é quando muitas luzes se unem que o brilho é mais forte. No entanto, tudo começa num simples ponto de luz, e é esse que este eclipse nos convida a reencontrar.



















Viva, Leonardo!
Antes de mais, gostaria que satisfizesse a minha curiosidade e me confirmasse se o Leonardo é o mesmo que esteve no projecto “Repórter Sombra” (com este singular sobrenome seria muita coincidência haver outro…).
Em segundo lugar, e independentemente de se tratar ou não da mesma pessoa, gostaria de parabenizá-lo pelo excelente texto, tão completo, tão interessante e ainda tão elucidativo.
Sendo eu do signo de Leão, espero ansiosa e veementemente encontrar de novo o meu eu e o meu brilho, que, por circunstâncias da vida, por vezes se esvai.
Que este eclipse sirva para, e passo a redundância, eclipsar tudo o que não nos acrescenta e, por outro lado, nos ajude a enxergar melhor o nosso verdadeiro caminho e a nossa verdadeira missão.
Um grande beijinho, Leonardo!
Lídia 🌻
Viva, Lídia!
Sim, sou eu mesmo! Muito obrigado pelas suas palavras! 🙂
Que assim seja!
Um grande beijinho,
Leonardo Mansinhos