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O Medo de Ser

20151214

Bom dia!

No nosso caminho, na nossa vida, somos confrontados com momentos que poderemos considerar verdadeiras chaves de crescimento e evolução. Por norma, não são momentos fáceis nem simples, são na verdade bem desafiadores, que nos obrigam a trazer à luz as nossas próprias sombras, os nossos maiores medos, aqueles mais profundos e que durante tanto tempo estiveram escondidos. Muitas vezes, ao longo do nosso caminho, conseguimos ir controlando essa manifestação, mas quando vivemos um processo tão forte e intenso, de profundo renascimento, que nos desarma constantemente e nos retira o chão que antes sentíamos como seguro (ainda que depois olhemos e percebamos que, afinal, nunca o foi), invariavelmente, esses medos são arrancados de dentro de nós e colocados mesmo à nossa frente para que os possamos entender e integrar.

Olhamos, por norma, estes medos como sendo referentes a coisas, ditas, negativas, como o medo de falhar, o medo de não conseguir, o medo de perder algo ou alguém, mas, muitas vezes, sinto que o maior medo que temos de enfrentar não se refere a estes tópicos, mas sim, precisamente, ao inverso.

Imaginemos uma sala onde estamos bem no centro. Atrás de nós estão várias portas e à nossa frente temos apenas uma. As que estão atrás de nós são todos os caminhos que percorremos e que não nos levaram a lado algum, que repetimos insistentemente, em busca de um resultado diferente, mas que nos trouxeram sempre ao mesmo ponto. A porta que está à nossa frente não nos é conhecida, nunca lá estivemos, nunca a abrimos. Na verdade, sabemos que a sua chave está dentro de nós, dentro do nosso coração e precisamos de a extrair. Tal processo dói, é verdade, mas já temos vivido tantas dores nas nossas vidas, não queremos mais uma, e então preferimos continuar a ir pelos caminhos conhecidos, que a nenhum lado nos levam, que apenas nos trazem a esta mesma sala.

O maior medo que podemos enfrentar é o de conseguirmos, de sermos bem-sucedidos, tão simplesmente porque ele implica um conjunto de coisas, de outros pequenos (grandes) medos que precisam de ser trabalhados. Abrir a tal porta implica viver o processo de transformação interior mais profundo que alguma vez vivemos, ainda que já tenhamos feito outros nesse sentido, implica rasgarmos o nosso Ego e libertarmos o nosso Eu, resgatar aquela chave que, sabemos, está dentro de nós. Abrir a tal porta implica entrar em terreno desconhecido, e todos nós, humanos, somos avessos ao que nos é desconhecido. Até o mais corajoso dos humanos treme por dentro perante algo que não conhece.

Os tempos que vivemos, com Saturno e Neptuno a fazer um aspecto muito desafiador nos céus, têm como grande objectivo colocar-nos no meio de uma espécie de nevoeiro onde até entramos, pensando que estamos numa estrada, mas descobrimos que afinal estamos numa daquelas florestas dos filmes Disney, escura e sombria, onde nas árvores vemos o reflexo do nosso inconsciente profundo, dos nossos medos e receios. Nestes tempos, descobrimos que, afinal, muito do trabalho que achávamos estar completo, só está concluído em uma parte e que é tempo de irmos às camadas mais interiores, aquelas mais difíceis de retirar, mas que são essenciais.

Há uma frustração que nos invade, fruto deste movimento nos céus, que nos confronta com algo que, inicialmente, podemos até ver como o tal medo de falhar, de não conseguir, mas que, se olharmos com os olhos da alma, vamos compreender que o que sentimos é o tal medo de abrirmos a porta do desconhecido em nós, de conseguirmos, de cumprirmos verdadeiramente o nosso propósito de vida nesta Terra. O ambiente que vivemos hoje no planeta é reflexo desta frustração, de muitos de nós ainda não querermos ver quem somos e qual o nosso caminho, o que leva a que nos revoltemos contra tudo o que é exterior e nos entreguemos a guerras, mágoas e dor. A luz da chave que está dentro de nós incide e amplifica todas as sombras que existem no nosso ser, mas também nos mostra o nosso propósito, e um dos maiores e mais profundos propósitos colectivos que temos é, precisamente, trazer a Paz e a Harmonia a este planeta.

Caminhar com os nossos próprios pés no caminho que delineámos para a nossa evolução como almas eleva alguns medos, sim, também porque implica uma responsabilidade, a de sermos nós mesmos, sempre, de cumprirmos e seguirmos o trilho que, sabemos, faz-nos felizes e completos. Contudo, é apenas rasgando o nosso eu antigo, as malhas deturpadas do nosso ego, que podemos revelar o nosso verdadeiro Eu e, dessa forma, compreender que essa responsabilidade não é uma mochila nem um peso, é uma expressão da gratidão e do mais profundo amor por nós mesmos, pela compreensão da nossa unicidade. Ela é, na verdade, uma lembrança de que, apesar de termos consciência de que somos únicos, há uma humildade e uma entrega que são essenciais para que consigamos continuar a cumprir o nosso caminho sem nos desviarmos e entrarmos em mais um daqueles que percorremos antes.

Boa semana!

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