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Visão

20160512

«No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.» Com estas palavras o apóstolo João, o Evangelista, abre o seu primeiro livro, revelando-nos um dos mais belos e profundos princípios da criação, o de que tudo o que foi, é e será criado no Universo através duma ideia, duma concepção de uma Mente Superior, materializada através da vontade, carregada de Amor, moldada como um pedaço de barro nas mãos do oleiro. Se considerarmos que cada um de nós é um espírito que provém desse todo que é Deus, então todo o poder da criação está disponível em nós, carregado no nosso ADN, pronto a ser descoberto, e essa tarefa só pode ser feita, só pode ser concretizada, quando nos permitimos a aceder e a ter aquilo que poderemos chamar de Visão.

Recordo-me das minhas primeiras aulas do curso de Gestão, em que se falou sobre os três principais pilares de uma organização, Visão, Missão e Valores. Tal como numa empresa, tudo nas nossas vidas tem essa mesma base, tudo parte de uma visão, um alcance que queremos atingir, muito maior do que o nosso ponto de partida, que, aliada a uma missão que abraçamos, e tendo como grande estrutura os valores que defendemos e acreditamos, é a massa que permite a concepção, a criação de alguma coisa, seja o que for. Nestes últimos dias, revisitei esta questão da Visão, fazendo a ponte entre o que aprendi, numa perspectiva académica e do mundo tridimensional, material e físico, para uma vivência de desenvolvimento pessoal e espiritual.

Num tempo em que falamos muito sobre viver no agora e dar valor ao presente, ao mesmo tempo que encontramos um certo radicalismo, muito próprio destes tempos de Saturno em Sagitário, esquecemo-nos de que, embora essa atitude seja necessária, também é necessário sabermos para onde nos estamos a dirigir, onde queremos chegar, qual o grande propósito que nos move. No fundo, Visão e propósito são o mesmo percurso, e, muitas vezes, perante grandes obstáculos que a vida nos apresenta, a pergunta que se coloca é, precisamente, se sabemos para onde nos estamos a dirigir.

Quando alguém não sabe qual o seu propósito, onde pretende chegar, o que quer da sua vida ou para onde se está a dirigir, uma de três coisas se está a passar, ou vive preso no passado, ou vive preso num futuro que ainda não se concretizou ou, pior, vive preso em ambos. Em todos os casos, a visão está reduzida a um ponto no presente que se rege por essas prisões. No fundo, é como andar num local onde nunca se esteve, um jardim, uma floresta, uma cidade, e fazer o caminho todo de olhos fixos no chão, preocupado com cada passo que vai dar, como vai dar, porque vai dar, sem apreciar a beleza do caminho, sem o entusiasmo de descobrir algo lá ao fundo que chama a atenção e onde se quer chegar rapidamente, para ver de perto.

Ter uma Visão na nossa vida é trazer até nós, conscientemente, o princípio divino da Criação, não só o expressado pelo Apóstolo João, mas aquele princípio que está presente em todas as religiões, em todas as filosofias espirituais, a de que em nós existe uma partícula da Mente Superior que tudo cria e que, por isso, também nós somos criadores do nosso caminho, muito antes até de encarnarmos na Terra. Não assumir esta Visão é também ser criador da nossa vida, porém, numa polaridade negativa, negando a nossa centelha, tornando-nos marionetas, não de um destino, como muitos crêem, mas sim dos outros, dos que nos rodeiam, dos que sobre nós exercem poder, das mais diversas formas.

Ao sermos capazes de viver em nós uma Visão, seja ela de que natureza for, temos também de ser capazes de assumir a responsabilidade por cada um dos nossos passos, por cada uma das nossas atitudes e vivências. É preciso ser capaz de olhar o passado com respeito, como um grande Mestre, mas com um imenso Amor e com desapego. É preciso ser capaz de olhar o futuro pelas lentes da Visão, pelas suas tonalidades, carregado também de Amor, e não pelo determinismo, pessimismo e agonia, pela ansiedade e desespero de largar um presente que, muitas vezes sendo duro e difícil, um dia será um passado e terá de ser encarado como uma aprendizagem, como um Mestre. Embora pareça, por vezes, difícil de alcançar, a Visão das nossas próprias vidas, dos nossos projectos, das nossas relações e de tudo o que somos é muito mais simples do que imaginamos. No entanto, compreendê-la, acedê-la, vivê-la, implica centrarmo-nos em nós mesmos, compreender quem somos, o que nos move, que pedras temos a partir para poder chegar aos tesouros dentro de nós.

Aceder à Visão é voltar ao nosso ponto primordial, ao nosso coração, à energia que nos move, à profundidade da nossa alma. É reconhecer a verdadeira vida, o que acreditamos, o que pretendemos, ao que nos entregamos. Quando o conseguimos fazer, acendemos a chama que nos incita a levantar o queixo do chão, a respirar fundo, a elevar os olhos ao horizonte e a confiar no que o Universo tem para nos trazer. Embora eu olhe ao longe, eu tenha a compreensão de para onde me dirijo, é desta forma que eu vivo verdadeiramente o Agora, assumindo a responsabilidade de cada escolha, pois cada escolha é feita com os olhos postos no propósito que me trouxe a este momento, pois cada escolha é um caminho escolhido, um degrau que precisa de ser alcançado, uma experiência que me trará uma aprendizagem e que me fará mais forte, mais sereno, mais focado em mim mesmo e que, em última instância, no momento em que da Terra partir, me fará sentir que cumpri o propósito que até ela me trouxe, permitindo-me evoluir e aí, um novo caminho, Ver.

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